Grã-Bretanha sugere testes para garantir desarmamento do Iraque

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Publicado terça-feira, 11 de março de 2003 as 09:01, por: cdb

Diplomatas britânicos estão apresentando novas propostas na ONU em uma tentativa de conquistar apoio para a proposta de uma resolução que define a próxima segunda-feira como prazo final para o desarmamento do Iraque.

A Grã-Bretanha está sugerindo uma série de testes pelos quais o Iraque deve passar dentro de um período de tempo limitado para provar que está cooperando com os inspetores de armas da ONU.

O objetivo da iniciativa britânica é conseguir algum tipo de compromisso sobre o Iraque no Conselho de Segurança das Nações Unidas para evitar um abalo na imagem da organização, que permanece dividida quanto à melhor maneira de garantir o desarmamento iraquiano.

Estados Unidos, Grã-Bretanha e Rússia defendem a proposta de um ultimato ao Iraque, mas França e Rússia são contra a idéia e pedem mais tempo para os inspetores de armas da ONU.

Legitimidade

Mesmo com a perspectiva de veto, os Estados Unidos insistem em conquistar a maioria dos votos no Conselho de Segurança em uma tentativa de legitimar uma ação militar no Iraque.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, declarou na segunda-feira que a legitimidade de uma guerra contra o Iraque poderia ser seriamente enfraquecida sem o apoio do Conselho de Segurança.

O governo americano, no entanto, procurou minimizar o alerta de Annan e afirmou que tem toda a autoridade para lançar uma ação militar no Iraque com base em resoluções anteriores da ONU.

O porta-voz do presidente George W. Bush citou as guerras em Ruanda e Kosovo e disse que, se a comunidade internacional tivesse esperado pelo Conselho de Segurança, o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic ainda estaria no poder.

Veto francês

Na segunda-feira, o presidente francês, Jacques Chirac, disse que a França não vai apoiar uma resolução que abra caminho para uma guerra contra o Iraque, até que os inspetores de armas da ONU digam que não há mais nada a se fazer pelo desarmamento no país.

Em uma entrevista transmitida pela televisão francesa, Chirac alertou que uma guerra pode quebrar a coalizão internacional contra o terrorismo e contribuir para um confronto entre culturas e religiões.

Além do presidente da França, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, que também tem poder de veto no Conselho de Segurança, já se declarou contra a nova resolução.

O ministro russo Igor Ivanov disse que seu país pretende vetar o projeto de resolução defendido por Estados Unidos, Grã-Bretanha e Espanha.