Grã-Bretanha diz ‘ainda não’ ao euro, por enquanto

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Publicado segunda-feira, 9 de junho de 2003 as 15:00, por: cdb

A Grã-Bretanha descartou nesta segunda-feira a adoção do euro por enquanto, mas surpreendeu seus críticos ao dizer que pode reavaliar o debate no próximo ano.

O ministro das Finanças, Gordon Brown, disse ao parlamento que no momento o país não vai beneficiar-se da adoção da moeda. Segundo ele, quatro dos cinco testes econômicos, lançados em 1997 e realizados para avaliar as condições econômicas britânicas, não foram atingidos.

Mas em um comentário surpreendente, Brown sinalizou a vontade do governo de reavaliar a questão no futuro. A moeda já foi adotada por 12 dos 15 países-membros da União Européia (UE).

Os testes devem ser revistos no próximo ano, e se na época forem cumpridos, será realizado um plebiscito, disse ele.

– Se, com base nos cinco testes econômicos, tornar-se membro do euro for bom para o mercado de trabalho britânico, para os empresários britânicos e para a prosperidade futura britânica, então será de interesse nacional adotar o euro.

Brown e o primeiro-ministro, Tony Blair, realizam na próxima terça-feira uma entrevista coletiva conjunta, para passar essa mensagem e afastar as especulações de diferenças entre os dois.

Se a questão for colocada em plebiscito, o governo terá uma batalha à frente para convencer uma população cética.

Pesquisas mostram que dois terços dos britânicos querem manter a libra, temendo perderem a soberania do país sem ela.

Na manhã desta segunda-feira, o Tesouro divulgou o resultado de 18 estudos, enfatizando os principais obstáculos à adoção do euro.

Com mais de 1.700 páginas, os estudos mostraram que o mercado imobiliário britânico é mais sensível a mudanças nas taxas de juros do que o da maioria dos 12 países da zona do euro, e que o progresso na flexibilidade do mercado de trabalho da UE está atrás do britânico.

Eles indicaram ainda que a economia britânica continua mais em sintonia com a dos Estados Unidos do que com a da UE. Do lado positivo, eles apontaram existir benefícios potenciais claros, como um maior comércio com a União Européia (UE).

A Grã-Bretanha juntou-se à Comunidade Econômica Européia em 1973, 16 anos após os membros fundadores do bloco, e desde então mostra várias diferenças com eles. Mais recentemente, o apoio de Blair à invasão norte-americana no Iraque dividiu a Europa.