Governo reprime manifestação, prende, fere e mata na Bolívia

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 19 de janeiro de 2003 as 14:36, por: cdb

Camponeses, cocaleiros e estudantes bloquearam a rodovia que liga Cochabamba a Santa Cruz de la Sierra em defesa do gás, da água, da coca, contra a ALCA e por melhores condições de vida e de trabalho para a população. O bloqueio foi iniciado dia 13, porque o governo boliviano não aceita uma pausa na erradicação das plantações de coca no trópico de Cochabamba, nem aceita um diálogo conjunto com todas as organizações sociais para resolver de uma só vez as demandas sociais.O ato foi reprimido com violência pelo governo boliviano.
Já no dia 13, o confronto foi intenso e a polícia utilizou muito gás lacrimogêneo e balas de borracha e de chumbo para dispersar o bloqueio. Os manifestantes responderam com paus e pedras. No dia 14 foi confirmada a morte de um dos manifestantes que recebeu um balaço no peito. Até agora se tem notícia de 17 mortes e cerca de 200 detidos.

A polícia invadiu o campus da Universidade San Simon em Cochabamba para reprimir a manifestação em favor dos cocaleiros. Há notícias de cerca de seis presos nesta investida.

Cinco suecos que participaram dos protestos foram deportados para o Brasil, por onde haviam entrado. O governo boliviano alegou interferência em assuntos internos.

Desde de 97, com a implantação do chamado Plano Dignidade, respaldado pelos Estados Unidos, o governo boliviano erradicou milhares de hectares de cultivos de coca. Só em janeiro do ano passado, houve 7 mortes em conflitos entre cocaleros, o exército e a policia. A coca, que tem uso legal no país, é uma grande força da economia boliviana e fonte de sustento de milhares de camponeses.