Governo Lula vai incentivar o Proálcool

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Publicado segunda-feira, 16 de dezembro de 2002 as 15:54, por: cdb

Roberto Rodrigues, futuro ministro da Agricultura, defendeu que o governo Lula incentive o Proálcool, o programa de incentivo ao uso de combustível à base de álcool de cana, além do biodiesel, outro combustível de origem vegetal. Rodrigues, entrevistado no programa Bom Dia Brasil, na Rede Globo, nesta segunda-feira acredita que o pequeno produtor rural brasileiro só terá acesso ao mercado externo se atuar de forma cooperativada.

“Vamos investir muito no Proálcool e no biodiesel”, disse Rodrigues, que na semana passada foi indicado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a pasta da Agricultura. Para o futuro ministro, o cultivo de cana-de-açúcar para a produção de álcool é o setor agrícola que mais gera empregos no Brasil. Ele também vê boas perspectivas para o biodiesel, um programa ainda sem o grau de desenvolvimento do Proálcool, mas que também é visto como uma alternativa para o setor agrícola.

Cooperativismo

Ex-presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e atual presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Rodrigues defendeu o cooperativismo como forma de o pequeno agricultor ter acesso ao mercado externo. “Sozinho, o pequeno produtor não vai a lugar nenhum. Só em conjunto, em escala”, falou.

O futuro ministro da Agricultura defendeu também o incremento em nichos de mercado ainda não explorados convenientemente, como os de frutas e de flores. “O Brasil tem hoje 0,5% do mercado mundial de café torrado e moído. A Alemanha, que não tem nenhum pé de café, tem 20%. É preciso agregar valor aos produtos para ganhar outros mercados”, exemplificou.

Transgênicos

Outro ponto abordado na entrevista foi sobre a posição do futuro governo quanto aos produtos transgênicos. “É uma questão muito complexa. Vamos ter um problema de falta de milho no final do ano que vem. Vamos importar milho de onde? Dos Estados Unidos, da Argentina? Ambos produzem transgênicos. Vamos adotar mudanças calmamente, tranqüilamente, mas com absoluto controle. É um assunto controverso e que tem de ser cientificamente estudado”, afirmou.