Governo filipino diz ter matado líder terrorista indonésio

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Publicado segunda-feira, 13 de outubro de 2003 as 00:18, por: cdb

Uma semana antes da visita do presidente dos EUA, George W. Bush, as autoridades das Filipinas mataram neste domingo, em um tiroteio, o terrorista indonésio Rohman Al Ghozi, que fugiu de uma prisão desse país em julho passado.

O general Generoso Senga informou que o tiroteio aconteceu às 20h deste domingo (9h de Brasília) na cidade de Pigkawayan, na província de Catabato (norte), em um tiroteio com unidades da força especial anticrime da Presidência conhecida como Pacer. “A operação levou muito tempo em marcha, mas parece que a Pacer o caçou”, disse Senga, acrescentando que “o corpo está sendo examinado, porque é melhor estar totalmente seguro”.

A presidente Gloria Arroyo avaliou que a morte de Al-Ghozi é uma advertência aos “terroristas” de que não devem buscar refúgio no país. Arroyo, segundo seu porta-voz Ignacio Bunye, quis parabenizar os policiais que o perseguiram. “Sua morte prova que os terroristas não encontrarão refúgio nas Filipinas”, declarou Bunye à rádio DZBB.

O corpo de Al-Ghozi foi levado para o necrotério de Mindanao (sul), onde será realizada a autópsia, afirmou um porta-voz da região Sul das Filipinas, o coronel Renoir.

Al Ghozi é um suposto dirigente do grupo terrorista islâmico Jemah Islamiya (JI), organização responsabilizada pelos atentados que há um ano mataram 202 pessoas na ilha de Bali, a maioria delas turistas estrangeiros. O grupo também é responsabilizado pela bomba colocada no hotel Marriot de Jacarta, capital da Indonésia, em agosto passado.

Al Ghozi, que foi detido em janeiro de 2002 e cumpria uma condenação de 17 anos por posse ilegal de explosivos e falsificação de documentos oficiais, escapou da prisão de Campo Crame de Manila e provocou uma forte crise institucional no Governo filipino.

A fuga ocorreu junto com os membros do grupo radical Abu Sayyaf Omar Opik Lasal e Abdulmukin Edris, este último morto pelo Exército filipino quando tentava escapar depois de ser detido pela segunda vez na ilha de Mindanao.

A fuga de Campo Crame causou um escândalo político nas Filipinas, já que Al Ghozi era considerado uma fonte de informação-chave para esclarecer os ataques ocorridos no Natal de 2000, em Manila, que mataram 22 pessoas e deixaram mais de 100 feridos.

JI e o Abu Sayyaf são acusados de terem vínculos com a rede terrorista Al Qaeda, liderada por Osama bin Laden, à qual os Estados Unidos atribuem os atentados do 11 de Setembro de 2001.

Com a morte de Al Ghozi, o Governo de Gloria Macapagal Arroyo marca um ponto, a poucos dias da visita ao país do presidente Bush, que a partir da próxima quarta-feira realiza uma viagem de nove dias por vários países asiáticos.