Governo estuda criação de força-tarefa para combater crime no Rio

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Publicado sexta-feira, 7 de março de 2003 as 10:49, por: cdb

Após dois dias de indefinição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve decidir nesta sexta-feira até quando as tropas do Exército continuam nas ruas do Rio de Janeiro para tentar evitar atentados do crime organizado. A governadora do Estado, Rosinha Matheus (PSB), quer a permanência por mais 30 dias.

Independentemente da manutenção ou não das tropas, o governo federal estuda a criação de uma espécie de força-tarefa para combater o crime organizado. Seria uma atuação “inteligente” conjunta entre a Polícia Federal e o Exército. O Ministério Público Federal, a Justiça Federal e a Polícia Rodoviária Federal colaborariam com a missão.

Ao criar essa força-tarefa, o governo estaria tentando desmontar as quadrilhas de narcotraficantes e dificultando a lavagem de dinheiro que vem do tráfico de drogas.

Paralelamente a isso, é consenso entre os ministros que é preciso haver uma intensificação na atuação das corregedorias e no combate à corrupção, detectando agentes públicos que colaboram diretamente com o crime organizado. As medidas incluiriam programas de treinamento e até mesmo a unificação das polícias. Esse reforço no combate à corrupção depende do aval de Rosinha, que, para o governo federal, ainda não deu demonstrações nesse sentido.

Divergência

Nenhum dos ministros defende a permanência definitiva do Exército nas ruas. Para eles, isso poderia gerar um problema extra. Não há, entretanto, convergência em relação ao pedido de Rosinha para as tropas ficarem mais 30 dias.

O ministro da Casa Civil, José Dirceu, é favorável à medida. Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e José Viegas (Defesa) são contrários. Bastos sempre se declarou avesso à medida. Viegas tem um motivo a mais para não concordar com o pedido da governadora. A Operação Guanabara, como ficou batizado a atuação do Exército no Rio, consumiu desde o início do Carnaval R$ 340 mil do escasso Orçamento da pasta da Defesa.

Na quinta-feira, a presença do Exército nas ruas do Rio já tinha caído pela metade. Dos 3 mil homens que aturaram no Carnaval, apenas 1,5 mil continuava na operação. Viegas defende que as tropas fiquem somente até o desfile das escolas campeãs, neste sábado.

Na quinta-feira, Rosinha oficializou o pedido de manutenção das tropas por meio de um faz ao Ministério da Justiça. A formalidade, entretanto, não seria necessária, uma vez que o Ministério da Defesa não estabeleceu prazos para a ação do Exército.