Governo cria secretaria para acompanhar o programa Fome Zero

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Publicado sábado, 15 de março de 2003 as 20:32, por: cdb

Na tentativa de salvar o Fome Zero, que deveria ser a vitrine social do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o PT fez neste sábado uma intervenção branca e criou uma secretaria extraordinária para acompanhamento do programa.

Logo na abertura da reunião do diretório nacional, o PT avaliou que, ou defende o ministro da Segurança Alimentar, José Graziano da Silva – alvo de críticas por trapalhadas na execução do plano -, ou o governo naufraga junto com aquele que foi anunciado como o principal projeto para combater a fome e a miséria do País.

Uma resolução aprovada de última hora diz que o PT “reconhece e apóia” o esforço de Graziano e de sua equipe para a adoção do programa, considerado inovador. Mais: o partido se propõe a ser o “articulador dessa mobilização, construindo um grande movimento nacional de luta contra a fome por inclusão social e conscientização”.

O texto foi redigido com a ajuda de Graziano, depois de amplo debate com os petistas. O documento, que cria um muro de proteção ao redor do Fome Zero, menina dos olhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, substituiu trecho da resolução sobre conjuntura. Nela, o PT fazia severas críticas ao programa, com o argumento de que era preciso definir melhor “seu foco, seus instrumentos de implementação e os critérios da avaliação dos resultados”.

O trecho retirado insinuava uma desorganização no meio de campo ao sustentar que o governo precisaria reavaliar todas as políticas sociais setoriais, conferindo-lhes um sentido de coordenação.

Preocupados com a repercussão negativa desse capítulo, principalmente depois que o bispo de Duque de Caxias (RJ), D. Mauro Morelli, declarou haver “víboras das intrigas e maledicências” no Palácio do Planalto, empurrando Graziano para o abismo, os petistas resolveram formar um cordão de isolamento para proteger o ministro.

Morelli é integrante do Conselho de Segurança Alimentar (Consea). “O que fizemos não é intervenção e nem pretendemos esvaziar a pasta de Graziano, muito pelo contrário”, afirmou Marlena da Rocha, escolhida para comandar, no âmbito do PT, a Secretaria Extraordinária para Acompanhamento do Fome Zero. “As críticas são precipitadas e todos precisam entender que as ações têm um tempo de maturação.”

Um representante do PT em cada Estado será designado para vigiar as ações do programa e conferir a distribuição dos cupons-alimentação. “As críticas ao Fome Zero não são no sentido de detoná-lo, mas sim de aperfeiçoar sua condução, até porque se trata de uma causa nacional, que depende de todos nós, e é um erro querer jogar toda a culpa no Graziano”, disse o governador do Acre, Jorge Viana.

“Para sair do impasse, seria importante o Fome Zero levar em consideração o conjunto dos programas de transferência de renda que já existem no Brasil, e são muitos”, completou o senador Eduardo Suplicy (SP).