Governo colombiano pode intervir no futebol do país

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 25 de março de 2004 as 11:22, por: cdb

O governo colombiano pode ter que assumir o controle da Federação de Futebol do país devido a um escândalo financeiro, segundo um documento interno do governo. O relatório afirma que o governo pode ter que intervir, dependendo dos resultados de uma nova investigação liderada pelo Banco Central, pela autoridade de impostos Dian e pela superintendência bancária do país.

Times colombianos têm dividas de mais de US$ 415 mil com a federação, o que os proibiria do jogar, diz ainda o documento. O governo também está preocupado com uma conta inexplicada da federação no exterior, com US$ 80 mil.

Se o governo assumir a federação, a campanha da seleção nas Eliminatórias para a Copa do Mundo pode ser prejudicada, bem como clubes nacionais. Em casos anteriores de intervenção do governo, a Fifa suspendeu a federação envolvida.

“A fepercussão do problema seria a impossibilidade de equipes nacionais competirem dentro ou fora do país”, ressalta ainda o documento, preparado pela agência do governo Coldeportes, que controla os esportes no país.

Além do problema com a Fifa, o governo também pode suspender todos os jogos e campeonatos nacionais, diz o texto. “A idéia é impor ordem ao caos administrativo e contábil no futebol colombiano. Para que o futebol e seus dirigentes cumpram a lei”, disse uma fonte do palácio presidencial.

Os clubes de futebol anunciaram que pagarão as dívidas até o final do mês, em medida que, segundo eles, deixará o governo com poucos motivos para intervir na Federação Colombiana de Futebol ou suspender o campeonato nacional.

Uma autoridade da federação disse não acreditar que o governo tenha ferramentas legais para intervir. “Isso não é suficiente para eles intervirem no futebol. Até onde eu sei, não há nada disso”, disse Gabriel Camargo, vice-presidente da FCF e presidente do Tolima.

O futebol colombiano foi marcado por escândalos nos anos 1980, quando alguns traficantes de drogas investiram dinheiro de cocaína em clubes importantes. Desde 2000, o governo confiscou bens de dois clubes, Millonarios e Union Magdalena, que pertenciam a traficantes conhecidos.