Governo censura a imprensa dos EUA

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Publicado domingo, 23 de março de 2003 as 22:10, por: cdb

A censura atingiu em cheio a imprensa norte-americana. As televisões dos Estados Unidos foram proibidas, neste domingo à noite, pelo secretário de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, de exibir as imagens dos cadáveres de cinco soldados norte-americanos e de quatro prisioneiros de guerra dos Estados Unidos, capturados pelas forças iraquianas.

As imagens foram feitas pela televisão do Qatar, Al-Jazeera. As informações são da rede de televisão CNN, que exibiu apenas as fotos dos soldados mortos. De acordo com informações da Agência Lusa de Notícias, três dos soldados mostrados na reportagem da Al-Jazeera confirmaram a nacionalidade norte-americana. Eles são dos estados do Texas, do Kansas e de Nova Jersey.

As entrevistas foram retransmitidas pelo canal de televisão árabe Al-Jazeera. Um porta-voz das Forças Armadas dos EUA disse que há pelo menos 10 mortos e 12 desaparecidos entre os soldados das forças dos EUA e britânicas no Iraque.

Em Washington, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, afirmou que fotografar ou humilhar prisioneiros de guerra viola as Convenções de Genebra. Al-Jazeera mostrou também quatro corpos que seriam de soldados norte-americanos, em um necrotério iraquiano.

Em relação aos prisioneiros de guerra, a emissora afirmou que eles foram capturados na área de Nasiriya, uma importante cidade à beira do Rio Eufrates, 320 quilômetros ao sul de Bagdad.

Nas entrevistas, dois dos prisioneiros identificaram-se apenas como membros da unidade de Manutenção 507. O Comando Central dos EUA não fez comentários, de imediato, sobre as entrevistas.

Um narrador lia uma tradução em árabe das entrevistas, mas puderam ser ouvidas algumas declarações em inglês.

– Eu vim para atirar apenas se atirarem contra mim – disse um dos prisioneiros.

Perguntado sobre a razão pela qual estava lutando contra iraquianos, ele respondeu: “Eles não me incomodam; eu não os incomodo”.

Outro prisioneiro disse apenas: “Eu sigo ordens”.

Uma voz, fora da câmera, perguntou: “Quantos oficiais” havia em sua unidade?

“Eu não sei, senhor”, foi a resposta.

Tiros no rio

Em Bagdad, soldados varreram com fuzis automático uma mata às margens do rio Tigre, no centro da capital iraquiana, aparentemente acreditando que pilotos de aviões dos Estados Unidos ou Grã-Bretanha teriam ejetado seus assentos e estariam na área.

A correspondente da agência de notícias Reuters Hassan Hafidh disse que carros da polícia estavam vasculhando uma rodovia nas imediações do rio Tigre e que as matas na outra margem do rio, perto do principal palácio presidencial área estavam sendo incendiadas para impedir que servissem de refúgio. O rio também estava sendo vasculhado por velozes barcos de patrulha.

Oficiais dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha disseram ignorar que algum piloto das forças aliadas esteja na área.