Governo alemão ainda luta pela paz

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Publicado terça-feira, 18 de março de 2003 as 14:12, por: cdb

O chefe de governo alemão, Gerhard Schröder, não vê justificativa para uma guerra contra o Iraque. Mesmo reconhecendo sua iminência, está decidido a lutar até pela mais mínima chance de paz.

Oito horas após o últimato do presidente norte-americano George W. Bush ao Iraque, o chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, também se dirigiu à nação em pronunciamento por tevê. “A ameaça que representa o ditador iraquiano será de tal dimensão, a ponto de justificar uma guerra, que pode significar a morte certa para milhares de crianças, mulheres e homens inocentes?” – indagou. “Minha resposta neste caso era e é: não!”

Controles da ONU tiveram êxito

Schröder destacou a intensificação do controle da Nações Unidas sobre o Iraque, considerando que as exigências do Conselho de Segurança da ONU estão sendo cumpridas cada vez mais, não havendo razão para interromper esse processo. “Juntamente com nossos aliados, meu governo lutou duramente para que Hans Blix e seus colaboradores tivessem êxito. Entendemos isso como a nossa contribuição para a paz no mundo”.

O chanceler alemão mostrou-se comovido com o fato de ver sua posição compartilhada pela maioria esmagadora do povo alemão e também pela maioria dos membros do Conselho de Segurança. Mesmo duvidando de que a paz ainda tenha uma chance nas próximas horas, Schröder garantiu que seu governo será persistente e pretende esgotar até a última chance de evitar um conflito armado.

Chirac defende-se de insinuações

Também o presidente francês, Jacques Chirac, rechaçou o eminente ataque dos EUA contra o Iraque. Não há justificativa para “uma decisão unilateral pela guerra”, disse em Paris, nesta terça-feira (18/03). Chirac igualmente vê a posição francesa compartida “pela grande maioria da comunidade internacional”, o que é uma clara reação às insinuações de Bush, de que a França teria dividido as Nações Unidas e, com isso, enfraquecido o Conselho de Segurança.

“A França agiu em nome do primado do direito e conforme sua concepção das relações entre os povos e as nações”, acrescentou. Além do mais, a ameaça de guerra de Washington prejudicaria futuras tentativas de solucionar, por vias pacíficas, conflitos por causa de armas de extermínio proibidas.