Google censura sites de jornais de esquerda e da mídia independente

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 3 de agosto de 2017 as 13:10, por: cdb

Novo algoritmo do Google, a companhia que exerce o monopólio das buscas na internet, impõe censura mundial.

 

Por Redação, com ICFI – de Nova York, EUA

 

Nos últimos três meses, desde que o monopolista da Internet Google anunciou planos de afastar seus usuários das chamadas ‘fake news’ (notícias falsas), o ranking do tráfego global dos sites de esquerda, independentes, progressistas, anti-guerra e das organizações que lutam pelos direitos humanos caiu, significativamente. Os dados constam de relatório publicado, nesta quinta-feira, na World Socialist Web Site (WSWS), a página oficial do Comitê da Quarta Internacional (ICFI, na sigla em inglês).

Teoria da Conspiração

Nos índices do Google, o WSWS teve um declínio de mais de 60%, segundo estudo da instituição
Nos índices do Google, o WSWS teve um declínio de mais de 60%, segundo estudo da instituição – Fonte: ICFI

No dia 25 de abril último, o Google anunciou que havia realizado mudanças no seu serviço de buscas para tornar mais difícil para os internautas o acesso a informações de “baixa qualidade”; tipo ‘teorias da conspiração’ e ‘fake news’. A empresa disse, em seu blog, que o principal objetivo do algoritmo de busca era permitir que à gigante um controle maior na identificação de conteúdos ‘questionáveis. Declarou, ainda, que “desenvolveu um método de avaliação e atualizou a fórmula” para “trazer à tona mais conteúdos autoritários”.

Google, censura
O Google passou a censurar os sites de jornais independentes e ligados aos Direitos Humanos

O Google continua:

“No mês passado (Abril), atualizamos nossas diretrizes de avaliação de qualidade de busca (Search Quality Rater Guidelines). O fizemos para fornecer mais detalhes sobre as páginas de baixa qualidade; para estabelecer a bandeira apropriada”. Estes moderadores, em nível global, instruíram seus mecanismos para sinalizar “experiências desconcertantes para os usuários”. Incluindo páginas que apresentem “teorias da conspiração’, a não ser que o usuário indique, claramente, que busca este ponto de vista alternativo”.

Fake news

O Google não explicou, precisamente, o que quis dizer com o termo ‘teoria da conspiração’. Usando a ampla e amorfa categoria de ‘fake news’, o objetivo direto das mudanças realizadas pelo sistema de busca do Google é restringir o acesso aos sites alternativos. “Aqueles que cobrem e interpretam os fatos de forma conflitante com os principais agentes da mídia; como o New York Times ou o Washington Post”, afirma o ICFI. No Brasil, a base de cálculos do novo algoritmo tem sido os veículos da mídia conservadora. Entre eles, O Globo, a Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil.

Ao marcar o conteúdo na busca; de maneira que se desapareça da primeira ou segunda páginas de um resultado de pesquisa, o Google, efetivamente, bloqueia os usuários ao seu acesso. Devido à grande quantidade de tráfego na web influenciado por resultados de busca, “o Google é capaz de esconder ou enterrar conteúdo de forma eficaz; promovendo a manipulação dos rankings de busca”, acrescenta.

Censura

Apenas no último mês (Julho), a Comissão Europeia multou a empresa em US$ 2,7 bilhões. A penalidade foi aplicada “por manipular resultados com diretivas inapropriadas para os usuários, em comparações nos serviços de compra; o Google Shopping. Agora, aparentemente, o Google usa esse método criminoso para bloquear o acesso dos usuários a pontos de vista que a companhia considera questionáveis”, denuncia o ICFI.

O World Socialist Web Site (como as demais fontes independentes de informação) tem sido alvo do novo ‘método de avaliação’ do Google. Desde Abril deste ano, as 422,460 visitas originais do Google, caíram a estimados 120 mil até agora. Uma queda de mais de 70%. Mesmo quando os leitores buscam por termos como “socialista” ou “socialismo”, muitos informaram que encontram grande dificuldade para localizar o site oficial da Quarta Internacional.

Descrédito

No último dia 7 de abril, a agência de notícias norte-americana Bloomberg relatou que o Google trabalhava, diretamente, com o Washington Post e o New York Times. Iniciaram, assim, a “checagem de fatos” em artigos para “eliminar as ‘fake news”. Isso ocorreu após a nova metodologia de buscas do Google. Três meses depois; após o Washington Post declarar que 17 sites publicavam “notícias falsas”, 14 deles viram seu ranking despencar. O declínio médio dos sites que integram a ‘lista negra’ foi de 25%; sendo que muitos destes sites tiveram quedas superiores a 60%, segundo o ICFI.

— As ações do Google constituem uma censura política e significam um ataque direto ao direito de liberdade de imprensa. Em um tempo em que o descrédito do público quanto à mídia do establishment se amplia, globalmente, esta corporação gigantesca explora sua posição monopolista para restringir o acesso do público a um espectro imenso de notícias e análises críticas — concluiu David North, editor internacional do WSWS.