Gastos com juros já ultrapassam a casa dos R$ 140 bilhões

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Publicado sexta-feira, 23 de dezembro de 2005 as 14:22, por: cdb

Os brasileiros já pagaram, ao longo do ano, mais de R$ 140 bilhões, nos cálculos do Banco Central. Até novembro, o serviço da dívida custou aos cofres públicos R$ 146,470 bilhões, um crescimento de 25,5% sobre o registrado no mesmo período do ano passado (R$ 116,687 bilhões). A União, Estados, municípios e estatais precisaram fazer um superávit primário, a soma das receitas menos as despesas, excluindo os gastos com juros, de R$ 98,605 bilhões, o equivalente a 5,58% do Produto Interno Bruto (PIB). Ou seja, R$ 15,855 bilhões acima da meta de 4,25% do PIB para o ano.

Para o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, todos os anos o esforço fiscal fica acima da meta.

– Acertar a meta como se fosse um dardo seria impossível, sempre há uma margem – afirmou.

Ao longo de 2004, a economia que se conseguiu foi de R$ 81,112 bilhões, contra uma meta nominal de R$ 71,5 bilhões. Já em 2002, último ano do governo FHC, o esforço fiscal foi de R$ 52,39 bilhões, contra uma meta de R$ 50,3 bilhões. Como o superávit fiscal não é suficiente para cobrir todo o gasto com juros, o Brasil produz o déficit nominal, que é a soma das receitas menos despesas, incluindo gastos com juros, que no acumulado do ano está em R$ 47,865 bilhões, o equivalente a 2,71% do PIB.

Superávit

O superávit primário registrado no mês passado foi de R$ 3,550 bilhões, o mais baixo em um mês de novembro durante o governo Lula. Essa redução já reflete a tentativa do governo de acelerar os gastos para que o superávit acumulado no ano recue para um patamar mais próximo da meta. Diferente dos meses anteriores, o governo federal teve uma participação baixa no resultado de novembro, apenas R$ 346 milhões.

Os governos regionais registraram um superávit de R$ 1,938 bilhão e as estatais, de R$ 1,266 bilhão. Já os gastos com juros somaram R$ 12,979 bilhões. Com isso, o déficit nominal foi de R$ 9,429 bilhões, acima do registrado em outubro, de R$ 4,789 bilhões.