Garoto de dois anos cai em fosso de metrô e morre em BH

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Publicado quarta-feira, 24 de setembro de 2003 as 03:06, por: cdb

Uma criança de dois anos morreu, na última segunda-feira, por volta do meio-dia, ao cair no fosso de um elevador em construção na Estação do Metrô de Santa Tereza, Leste de Belo Horizonte, que pertence à Central Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).
 
José Carlos Júnior Rocha da Paixão foi socorrido pelos próprios funcionários da estação, mas já chegou sem vida ao Hospital de Pronto- Socorro João XXIII (HPS).

A mãe do menino, a balconista Renata Rocha, 31 anos, contou que estava dando água para o filho Giovani Rocha da Paixão, três anos, quando José Carlos se afastou.
 
– Quando desci o Giovani do bebedouro e percebi que o José Carlos não estava, fui correndo atrás dele. Vi que ele não tinha descido as escadas e me dei conta que ele tinha caído no fosso. Perdi meu filho por causa da irresponsabilidade da CBTU –  lamentou a mãe, em estado de choque.

A Polícia Civil vai instaurar inquérito para apurar as Responsabilidades pela morte.

A CBTU informou, através de seu Departamento de Comunicação Social, que abriu sindicância para apurar as circunstâncias do acidente e, conseqüentemente, adotar as providências cabíveis.
 
Segundo a empresa, o fosso era isolado por um tapume e faixas de segurança. Ainda de acordo com a CBTU, os seguranças do pavimento onde ocorreu o acidente estavam prestando socorro a uma senhora grávida quando o menino caiu de uma altura de 12 metros, do pavimento do mezanino até o pavimento da plataforma.

Renata conta que, ao contrário do que se viu depois do acidente, apenas uma tábua de madeira cobria a passagem para o fosso.
 
 – O madeirite tampava a maior parte, mas tinha uma beirada aberta por onde ele passou. Como é que uma criança de dois anos ia conseguir passar se a passagem estivesse tampada? Sei que meu filho não volta mais, mas vou entrar na Justiça porque uma irresponsabilidade dessas não pode ficar assim – afirmou a balconista, que buscou os filhos mais cedo na creche para levá-los a uma consulta médica no Posto de Saúde.

No início da tarde, o fosso estava cercado pelo tapume, cones e fitas de isolamento.
 
– Agora que meu filho morreu é que tomaram providência. O que eu quero saber é como é que largam o fosso de um elevador aberto sem obstrução. Cadê a segurança? – questionava, indignado, o pai do menino, o auxiliar de serviços gerais José Carlos da Paixão, 39 anos.

O delegado titular do 6º Distrito Policial, Walter Barbosa Morais, informou que a perícia e as testemunhas dirão se houve negligência ou imprudência na morte do menino.
 
– O que se vê aqui é uma situação de perigo iminente. Para um menino de dois anos passar é preciso que tenha havido negligência no isolamento. O problema é que tudo tinha de ter sido deixado como quando o acidente aconteceu, o que não ocorreu nesse caso. Não sei, por exemplo, onde e como o madeirite estava. Vamos ver o que as testemunhas dizem – adiantou o delegado.
 
A notícia da morte do menino causou espanto entre os usuários da estação. O perigo do precário isolamento do fosso vinha passando despercebido pela maioria dos passageiros até o acidente.
 
– Tem meses que essa obra está aí, com esse tapume desse jeito. O que aconteceu com esse menino poderia ter acontecido com outras crianças – denunciou a escrituraria Gisele dos Santos, 38 anos, usuária da estação.