Garotinho deverá depor sobre desvio de dólares no Rio

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Publicado quarta-feira, 29 de janeiro de 2003 as 16:33, por: cdb

O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, será convidado a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará o esquema de extorsão, lavagem de dinheiro e remessa ilegal de US$ 33,4 milhões para a Suíça, liderado por fiscais das receitas estadual e federal durante seu governo.

O deputado estadual Carlos Minc, do Partido dos Trabalhadores (PT), que será um dos relatores da CPI estadual, considera que Garotinho, casado com a atual governadora do estado, Rosinha Matheus, não terá como se esquivar do depoimento.

“Considero que seja inevitável o depoimento do ex-governador e nisso não há nenhuma pré-acusação”, afirmou.

O motivo do convite, segundo o parlamentar, são dois processos arquivados durante a administração de Garotinho: um de possível prática de extorsão contra a concessionária de energia Light, envolvendo fiscais estaduais, e outro de possíveis irregularidades na compra dos supermercados Rainha, Continente e Dallas, pelo Carrefour, que teria ocasionado uma perda de receita aos cofres públicos no valor de R$ 200 milhões.

A previsão é de que a CPI seja aprovada em 3 de fevereiro, dois dias depois do início da nova legislatura, e instalada no dia 4, quando também começam os trabalhos da Comissão.

“O nosso objetivo é produzir provas, colocar a máfia toda na cadeia, e trazer o nosso dinheiro de volta, antes que o congelem na Suíça”, afirmou o deputado estadual.

Outra meta, segundo o deputado, é a criação de novas normas de controle de fiscalização para que não haja mais possibilidade de fraudes no setor.

Em entrevista à rádio CBN, nesta quarta-feira, Garotinho disse que não foi informado, em seu governo, sobre as irregularidades, acrescentando acreditar que tudo pode ter acontecido antes mesmo de sua posse.

“Se eu tivesse recebido alguma denúncia, teria tomado providências”, afirmou.

O ex-governador queixou-se de que a impresa estaria tentando vincular seu nome a fatos policiais. Garotinho alegou que as contas na Suíça começaram a ser abertas em 1989 e, depois, em 1995 e 1997, quando ainda não era governador.

Garotinho também disse que, em seu governo, a arrecadação no estado do Rio de Janeiro foi recorde.

Tem mais dinheiro
O escândalo da máfia dos fiscais no Rio de Janeiro, que desviaram dinheiro de propinas para bancos suíços, pode ser ainda maior, revelou o Ministério Público.

Os US$ 33,4 milhões que estão sendo investigados em depósitos no Discount Bank and Trust Company podem não representar o total de desvios, segundo um levantamento enviado pelo Ministério Público da Suíça a autoridades do Rio de Janeiro.

O Ministério Público apontou mais dois auditores federais e outro fiscal da receita estadual, além dos outros oito já implicados no caso, como responsáveis por mais desvio de dinheiro público e depósitos irregulares na Suíça.

Todos atuaram no governo de Anthony Garotinho, até o mês de maio do ano passado, quando ex-governador decidiu disputar as eleições presidenciais.

Segundo o jornal O Globo, as contas foram localizadas em análise dos registros no banco suíço em nome dos auditores federais Amauri Franklin Nogueira Filho e Axel Ripoli Hamer.

A CPI a ser instalada pela Assembléia Legislativa (Alerj) pedirá ao Ministério Público federal que investigue os três suspeitos e pedirá ainda a quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico dos mesmos.

O Ministério Público Suíço enviou documentação ao Brasil dizendo que consta a informação que somente Amauri teria US$ 1,8 milhão em depósitos.