Garotinho ataca Dirceu

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 26 de janeiro de 2005 as 20:35, por: cdb

O ex-governador e secretário de Governo do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PMDB), desembarcou nessa quarta-feira em Brasília para articular uma ofensiva contra o Palácio do Planalto no Congresso, com críticas à atuação do ministro da Casa Civil, José Dirceu. Informado na semana passada de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandara desautorizar a antecipação do pagamento de R$ 350 milhões em royalties de petróleo ao governo estadual, Garotinho responsabilizou Dirceu pelo rompimento de seu grupo com o Planalto.

– A verdade é que o senhor José Dirceu trabalhou o tempo inteiro para colocar o presidente Lula contra o Rio de Janeiro e em determinado ponto, conseguiu seu intento: colocou o Rio contra Lula – disse o secretário de Governo fluminense. Além de articular o apoio de 23 deputados de seu grupo ao candidato dissidente à presidência da Câmara, Virgílio Guimarães (MG), Garotinho está à frente de uma operação política para tomar a liderança do PMDB da ala governista e eleger um líder com perfil de oposição ao Planalto.

Braço direito de Garotinho na ofensiva contra o petista apoiado pelo Planalto, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) explica que votar no candidato oficial seria o mesmo que “sucumbir” diante de um governo que quer excluir seu grupo de qualquer processo. “Agora nós vamos de Virgílio, e mesmo que o governo libere os recursos para o Estado não tem mais volta”, sentencia. “Não tem toma lá, dá cá”.

A operação envolve, também, a filiação temporária ao PMDB de uma dezena de deputados de vários Estados ligados a Garotinho. Como o ex-governador já contabiliza 11 votos da regional fluminense, além dos rebeldes liderados pelo presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), o grupo calcula que as novas filiações seriam suficientes para derrotar a reeleição do líder José Borba (PR).

Mas Garotinho avisa que jamais fará oposição radical ao governo, até porque não é um radical. “Nós nunca pretendemos fazer oposição ao Brasil, e sim a alguns pontos com os quais não concordamos”, diz o secretário, ao lembrar que foi eleito pelo PSB apoiando o Lula e que nenhum Estado deu tantos votos ao presidente petista quanto o Rio, com o seu apoio.

O líder Borba, por sua vez também não demonstra nervosismo com a movimentação dos dissidentes. Precavido, ele já registrou junto à Mesa Diretora o apoio individual, por escrito, de 51 dos 77 petistas e tem mais cinco cartas de liderados guardadas na gaveta.