Garcia diz que não há ministério ‘inegociável’

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Publicado terça-feira, 31 de outubro de 2006 as 20:57, por: cdb

O presidente interino do PT e coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta terça-feira que é possível fazer uma frente de partidos no próximo mandato, buscando um governo de coalizão nacional.

– Pode ser uma frente de esquerda que se articule com uma frente mais ampla. Vai ser uma frente de esquerda-centro -, declarou Garcia, durante entrevista coletiva na sede de campanha do PT, em Brasília.

Quanto à participação de partidos aliados na futura composição do governo, ele afirmou que não há ministério “inegociável”: “Se nós estamos em uma coalizão, em uma coligação de forças políticas, temos que aceitar que todas são forças idôneas, submetidas a um compromisso programático”.

Garcia defendeu a realização de uma ampla reforma política para possibilitar a redução no número de partidos, que assim ganhariam maior densidade.

– A reforma política, assim como o avião presidencial, não serve a um governo, ela serve à República, durante um longo período -, disse.

O presidente do PT acredita que a reforma política aumentará a transparência e ajudará a combater a corrupção. Para ele, a mudança ainda facilitará o diálogo com os partidos oposicionistas.

– Não significa diluir a fronteira entre governo e oposição. Nem se trata de reduzir a oposição, mas de respeitá-la. Não queremos cooptar ninguém -, falou.

Garcia adiantou que Lula começará a se reunir com os governadores já nos próximos dias, dando preferência aos aliados e disse que “os governadores vão ter um lugar importante nos debates sobre os destinos da federação.”

Segundo o presidente do PT, há um movimento de aproximação do governo com partidos como o PDT e o PV. Garcia negou que o PT tenha “aparelhado” o governo, com a contratação de pessoas ligadas ao partido, e defendeu a realização de mais concursos públicos.

– A presença de militantes no governo não é muito superior a que outros governos tiveram. Eu sou favorável que o Estado tenha carreiras estáveis, como acontece nas Forças Armadas e do Itamaraty. Mas para isso precisamos de uma reforma do Estado -, disse.

Garcia afirmou também que o PT deve abrir mais espaço a participação de lideranças de outras regiões, principalmente a nordestina, em referência à declaração do governador eleito de Sergipe, Marcelo Déda, de que havia acabado a era dos paulistas no partido.

– O PT está muito forte no Nordeste. Acredito que o próprio governador Déda deve ocupar um cargo de relevância no partido -, completou.