Gangues espalham o terror em Brasília

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Publicado terça-feira, 24 de junho de 2003 as 10:29, por: cdb

Não é para menos que a guerra de gangues vez por outra coloca o Distrito Federal nas páginas policiais de todo o país.

No ano passado, 55 pessoas ligadas às gangues de pichadores foram executadas no DF de acordo com relatório sigiloso do Departamento de Atividades Especiais (Depate), da Polícia Civil do Distrito Federal.

A média de quatro tiros por morte escancara o ódio dos adolescentes, principal motivo das vinganças.

Além de apontar as vítimas da guerra de gangues no DF, o relatório de oito páginas do Depate, de maio de 2003, faz um mapeamento dos grupos de pichadores de Ceilândia.

Detalha nomes, endereços e telefone dos principais envolvidos. Identifica quatro gangues de pichadores na cidade mais populosa do DF: Detonadores do Além (DA), Grafiteiros Sanguinários Noturnos (GSN), Grafiteiros Sem Lei (GSL) e Grafiteiros do Distrito Federal (GDF), uma das mais antigas do DF, com ramificações em Taguatinga, Guará, Samambaia e Plano Piloto. As duas últimas estão na terceira geração de pichadores.

O delegado-chefe da 15ªDP (Ceilândia Centro), Onofre de Moraes, recebeu o relatório ainda em maio. Intimou os principais líderes das gangues citados no estudo, para um ultimato: o envolvimento com novos crimes não seria mais tolerado.

– Parece que a única coisa a ser respeitada é a ameaça de prisão. Se algo acontecesse depois do encontro, seriam todos presos.

De lá para cá, o aviso parece ter surtido efeitos. Pelo menos na área da Ceilândia Centro nenhum crime foi cometido pelos adolescentes.

O delegado admite que os grupos mudaram de perfil, tornaram-se mais agressivos e se envolveram com roubos e tráfico de drogas.

– Antigamente, eram apenas pichadores. Para acabar com o que se vê hoje, só um trabalho preventivo e com a ajuda de outras iniciativas.