Gabrielli minimiza dificuldades em negociações com a Bolívia

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Publicado terça-feira, 4 de abril de 2006 as 18:02, por: cdb

Presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli minimizou, nesta terça-feira, as notícias de que haja qualquer dificuldade nas negociações comerciais com a Bolívia e a Venezuela. Ele argumentou que, em qualquer parte do mundo, a indústria do petróleo “é complicada”. Gabrielli explicou que a Petrobras está trabalhando para acelerar a exploração e produção de gás no país –o que vem sendo feito desde meados do ano passado–, mas negou que o esforço esteja relacionado com os impasses com a Bolívia em torno da nacionalização ou das ameaças de aumento do preço cobrado pelo gás do país andino.

– Onde não há problemas no mundo do petróleo? O mundo do petróleo é assim – disse Gabrielli.

Os governos dos dois países fecharam acordo essa semana para iniciar negociações nos próximos dez dias e achar uma saída para o conflito. Enquanto isso, a Petrobras aumenta a aposta na produção nacional de gás, visando um mercado que pode chegar a 100 milhões de metros cúbicos diários de consumo em 2010, segundo projeções da própria empresa. O contrato atual com a Bolívia prevê o fornecimento de até 30 milhões de metros cúbicos diários.

– Estamos intensificando o máximo possível a exploração e a produção de gás. Estamos acelerando os trabalhos em Santos. Estamos a todo vapor – disse Gabrielli, durante discurso na reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Santos possui enormes reservas de gás que foram descobertas depois que o Brasil assinou os acordos para importar o combustível da Bolívia, mas ainda são necessários alguns anos para que a produção comece. A Petrobras busca um sócio para investir 18 bilhões de dólares no desenvolvimento de um campo gigante na bacia de Santos, com previsão de produzir 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia a partir de 2010. Entre as possíveis sócias em conversas com a estatal brasileira estão Repsol, Exxon e Shell.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, que também participou da conferência em Belo Horizonte, ameaçou nacionalizar as reservas de hidrocarboneto, embora tenha realçado que não haverá expropriações. A Bolivia vende o gás ao Brasil a cerca de US$ 3,40 por milhão de unidades térmicas britânicas (BTU), comparado com os US$ 7,50 por milhão de BTU dos contratos para maio nos Estados Unidos. A Petrobras sustenta que o preço original contratado era de US$ 1 por milhão de BTU.

– A demanda brasileira de gás é atualmente de entre 40 e 41 milhões de metros cúbicos por dia, dos quais de 26 milhões a 27 milhões de metros cúbicos são fornecidos pela Bolívia e o restante corresponde à produção nacional – explica Gabrielli.

O presidente da estatal sinalizou que a nacionalização dos ativos da Petrobras na Bolívia, onde investiu US$ 1,5 bilhão nos últimos anos, é apenas uma hipótese, porque o governo no país não emitiu decreto e seu eventual impacto sobe os preços no mercado brasileiro é incerto.

– O aumento do preço do gás não depende da vontade, mas das condições do mercado – concluiu.