Furlan deixa o caminho aberto para Gerdau assumir ministério

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Publicado quarta-feira, 8 de novembro de 2006 as 11:50, por: cdb

Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan admitiu, em entrevista a jornalistas, nos EUA, que pretende deixar o cargo no dia 31 de dezembro deste ano e “voltar para a iniciativa privada”. A declaração é consonante com o desejo do empresário Jorge Gerdau Johannpeter, dono da siderúrgica Gerdau, de assumir a pasta ocupada pelo industrial.

– Meu compromisso vai até o dia 31 de dezembro. Existe uma boa possibilidade de retornar à iniciativa privada – admitiu o ministro.

Furlan disse, ainda, estar confiante de que os Estados Unidos deverão renovar o sistema de isenção tarifária que permite ao Brasil exportar para o mercado norte-americano uma série de produtos livres de impostos. O ministro, que está em Washington para uma visita oficial, afirmou que “há um esforço do Executivo americano para que haja uma renovação” do sistema, que possibilite ao Brasil exportar para os Estados Unidos o equivalente a US$ 3 bilhões em produtos livres de impostos.

O programa de isenção de impostos, conhecido como Sistema Geral de Preferências (SGP), beneficia com isenção fiscal produtos de países em desenvolvimento. O sistema tem prazo de vencimento previsto para o final de 2006. Dois deputados republicanos defenderam que o Brasil deixe de ser contemplado pelo SGP, devido ao bom desempenho de sua economia. Furlan, que se encontrou na terça-feira com o secretário americano do Comércio, Carlos Gutierrez, disse que conta com ele como “aliado”. O ministro também manteve encontro com o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, que também teria sinalizado de forma positiva em relação à prorrogação do programa de isenção.

Apoio no governo

Além dos secretários do Comércio e do Tesouro, Furlan conta com outros potenciais aliados norte-americanos, entre eles os representantes da Câmara do Comércio dos Estados Unidos. Na terça-feira, o ministro participou de uma solenidade na sede da organização, durante a qual representantes da entidade divulgaram um estudo que fala do suposto impacto positivo do SGP sobre a economia americana. Segundo o relatório, desde sua implantação, há 30 anos, o SGP vem contribuindo para que a indústria manufatureira americana mantenha a sua competitividade. O relatório afirma ainda que o número de empregos diretos e indiretos propiciados pelo SGP nos Estados Unidos foi de 82 mil em 2005.

Furlan disse, ainda, que o fim da isenção não seria benefício nem para o Brasil nem para as empresas que investem nos Estados Unidos:

– É um tema que não pode ser tratado de forma emocional. Se o Brasil deixar de ser contemplado, não serão as empresas americanas que irão substituir o Brasil.

Para o ministro, a vitória dos democratas na disputa pelo Controle da Câmara dos Deputados norte-americana não deverá diminuir as chances de extensão do SGP. Os democratas são, de praxe, mais protecionistas do que os republicanos em relação a acordos comerciais internacionais.

– Aqui, assim como no Brasil, os partidos são ligados a uma bandeira, mas nem sempre as decisões tomadas se alinham com a ideologia dos partidos. O importante é mobilizar empresas americanas com interesses no Brasil e companhias dos Estados Unidos que investem em nosso país – afirmou.

No entanto, o ministro é menos otimista quanto a concessão, pelo Congresso, de uma extensão do fast track, também conhecido pela sigla TPA (Trade Promotion Authority), a legislação que permite ao governo americano negociar acordos de livre comércio sem a possibilidade de emendas pela Câmara. Ele acredita que o fast track poderá ter uma vida mais longa, mas isso dependerá dos possíveis êxitos da Rodada de Doha – a série de negociações da Organização Mundial do Comércio para liberalizar o comércio mundial por meio de redução de barreiras alfandegárias e dos subsídios concedidos pelos países ricos à sua indústria agrícola.

– (O ministro das Relações Exteriores) Celso Amorim est