Fundação Zerbini pede R$120 milhões ao BNDES

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Publicado quarta-feira, 15 de novembro de 2006 as 17:59, por: cdb

A Fundação Zerbini, que dá apoio financeiro ao Instituto do Coração (Incor), demitiu 50% dos seus funcionários na última sexta-feira para conter a crise e pediu empréstimo de R$ 120 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A dívida da fundação é de R$ 245 milhões, quase metade dela com o próprio BNDES. O corte representa uma economia anual, entre encargos e folha de pagamento, de R$ 7 milhões. A resposta do governo federal deve chegar nesta quinta-feira.

Em outra iniciativa de emergência, os médicos do Incor aceitaram reduzir em 15% o seu complemento salarial, já no próximo pagamento. O conselho administrativo do Incor também espera receber até o fim do ano R$ 20 milhões do Ministério da Saúde. O valor é referente a verbas já previstas no orçamento de 2006.

Representantes do Incor e da fundação estiveram nesta terça-feira em Brasília para reformular alguns pontos do projeto apresentado ao Ministério da Saúde. O presidente do Conselho diretor do Incor, Jorge Kalil, informou que o governo considerou o plano “adequado”.

De acordo com Kalil, a resposta do governo federal deve chegar até o meio-dia de quinta-feira, após o encontro do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com governador de São Paulo, Cláudio Lembo. O conselho ainda não tem prazo para a resposta ao pedido de empréstimo ao banco.

Se receber o empréstimo R$ 120 milhões que solicita do BNDES, a fundação promete pagar R$ 80 milhões aos bancos privados e R$ 30 milhões a fornecedores. Os R$ 10 milhões restantes serão usados no plano de reestruturação da dívida. Os R$ 20 milhões do governo federal serão usados para despesas de emergência, como o próximo pagamento dos funcionários e o 13º salário.

Os dirigentes do Incor explicam que a Fundação Zerbini deve muito dinheiro por conta da construção do prédio 2 do instituto, em 1999. Até a obra, a fundação tinha balanço positivo, mas os custos de R$ 88,6 milhões com a construção e R$ 187,6 milhões com o pagamento de 1.500 novos funcionários – entre 1999 e 2006 – pesaram. Também contribuiu para o rombo a instalação do Incor do Distrito Federal, com custo de R$ 32,15 milhões.

Caso o dinheiro não chegue logo, os médicos do Incor temem uma queda na qualidade de atendimento do hospital, considerado um dos três melhores do mundo em tratamentos cardíacos.

O Incor faz anualmente 240 mil consultas, 13 mil internações e 5 mil cirurgias. A maioria dos recursos captados (80%) vem do Sistema Único de Saúde (SUS). Os outros 18% são de convênios e 2% de particulares. Uma das soluções previstas na reestruturação apresentada ao governo federal é aumentar o teto do SUS, ou seja, o máximo de atendimentos pagos pelos cofres públicos por mês.

Os diretores do Incor afirmaram que o governo estadual tem ajudado a fundação, com a absorção de funcionários – que deixaram de ser pagos pela entidade e passaram a receber pelo Hospital das Clínicas – e recursos adicionais. Somados, os dois representam R$ 50 milhões a mais este ano. Entretanto, pedem mais dinheiro.