FT: ‘Estabilidade econômica não basta’

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Publicado terça-feira, 6 de dezembro de 2005 as 12:05, por: cdb

“A estabilidade econômica não basta. O Brasil precisa crescer a um ritmo mais rápido.” Este é o recado do principal diário econômico da Inglaterra, o Financial Times, ao governo brasileiro, em editorial publicado nesta terça-feira. Na opinião do jornal, apesar dos fortes indicadores “a valorização do real frente ao dólar, baixa inflação e superávit fiscal e na balança comercial”, “sob a superfície, o novo milagre econômico do Brasil é bem menos sólido do que parece”.

“O problema é que a economia do país não está crescendo suficientemente rápido. Comparando com a Rússia, Índia e China, as outras três economias emergentes que fazem parte do chamado BRIC, o Brasil está ficando para trás”. O texto observa que, mesmo com a alta dos preços das commodities e outros fatores que criam “as melhores condições externas em pelo menos 50 anos”, o Brasil “só vai crescer cerca de 3% este ano”.

Entre os obstáculos ao crescimento citados pelo FT estão as altas taxas de juros e a valorização do real. “Como resultado (da valorização da moeda), dezenas de empresas são incapazes de concorrer no mercado de exportação”. De acordo com o receituário do Financial Times, “a médio prazo, o país deve realizar mais reformas estruturais para melhorar as perigosas características dos gastos estatais”.

E, no curto prazo, “o Banco Central deve ser mais agressivo em sua política monetária. Poderia também aliviar as pressões de alta sobre a moeda ao permitir que os exportadores permaneçam mais tempo com suas receitas em dólares, em vez de ter de vendê-los imediatamente”.

Agricultura

O britânico The Guardian traz reportagem, nesta terça-feira, sobre um novo mapa que mostra que 40% das terras do planeta são atualmente utilizadas para a agricultura. Elaborado por cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, o mapa indica que há cada vez menos terras férteis disponíveis para o cultivo e que os danos ambientais desses processos são enormes.

No ano 1700, apenas 7% da área do planeta era utilizada para a agricultura ou criação de gado.

“A bacia amazônica passou por uma das maiores mudanças nos últimos tempos, com grandes partes da floresta tropical sendo derrubada para o cultivo de soja”, afirma o Guardian. “Uma das maiores mudanças que vimos é a expansão da soja no Brasil e na Argentina, plantada para ser exportada para a China e União Européia”, disse um dos autores do estudo ao diário britânico.