Maior do que em N.Y, frota de helicópteros de São Paulo indica descaso da elite

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Publicado terça-feira, 6 de setembro de 2011 as 06:39, por: cdb

Para enfrentar problemas de grandes cidades, é preciso apostar na organização popular para fazer emergir “uma força de baixo para cima”. A receita foi apresentada pelo pesquisador Luis César de Queiroz Ribeiro, do Observatório das Metrópoles, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele acredita que o fortalecimento da cidadania depende desse tipo de mobilização.

Durante o Seminário Brasil Metropolitano, realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista, nesta segunda-feira, o pesquisador afirmou que as classes dominantes tendem a continuar resolvendo apenas seus próprios problemas, de forma imediatista e individualista. Enquanto isso, os governos não agem como deveriam para solucionar mazelas enfrentadas pela maior parte da população das grandes cidades, como transporte públicos.

-São Paulo tem hoje uma das maiores frotas de helicópteros do mundo, no entanto a população sofre com problemas de mobilidade. Isso expressa que quem tem dinheiro resolve seus problemas, sem sem importar com os demais, exemplificou Ribeiro. São Paulo possui 452 aeronaves desse tipo, segundo a Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), número que coloca a cidade à frente de Nova York, nos Estados Unidos, que possui 445 helicópteros registrados.

Desde que assumiu o cargo, em 2005, o prefeito paulistano, Gilberto Kassab (ex-DEM, rumo ao PSD), tem no helicóptero seu principal meio de transporte pessoal. Ele chega e parte da sede da administração municipal usando o heliporto localizado na cobertura do prédio, na região central da cidade.

Ribeiro defendeu a criação de uma “autoridade legítima” que possa realizar políticas na área da região metropolitana e que combine o “mercado, a solidariedade e a regulação”. “Temos de ter um sistema de políticas e arranjos institucionais que deem autoridade pública sobre esse território”.

Copa do Mundo e Jogos Olímpicos

O pesquisador da UFRJ critica a falta de debate em torno dos grandes eventos que serão sediados pelo Brasil e o impacto nas cidades e nas regiões metropolitanas.” Não há uma autoridade que seja referência, ainda que a Olimpíada seja concentrada na cidade do Rio, mas que coloque o olhar sobre questão em escala metropolitana.”

Ribeiro destaca o interesse internacional nas cidades brasileiras e no que ele chama de “economia do divertimento”, que envolve os grandes eventos esportivos e culturais (incluídos festivais como o Rock In Rio) e investimentos de capital comercial e financeiro tanto estrangeiros, quanto nacionais. “Já aconteceu isso em Barcelona (Espanha) e agora em Joanesburgo (África do Sul), o problema é que esses eventos demandam um tipo de tratamento na cidade que necessariamente não incorpora os problemas sociais que são históricos”, apontou o pesquisador.

Já o coordenador da Secretaria Executiva da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi, considera que o saldo desses eventos pode ser positivo, desde que trabalhado da maneira correta. Para ele, o grande desafio nesse caso é deixar um legado social para essas 12 cidades-sede da Copa, aproveitando recursos extras para investir em planos de mobilidade urbana. “Tem que aliar a construção dos estádios de forma integrada a um conjunto de políticas públicas que vão melhorar a qualidade de vida da cidade”, afirma Broinizi.