Franceses fogem da capital poluída e optam pelas províncias

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Publicado segunda-feira, 2 de junho de 2003 as 23:47, por: cdb

Meio milhão de pessoas saíram e ninguém tomou o seu lugar. Paris está cada vez mais vazia, poluída, com tráfego congestionamento e sem verde: os franceses, que priorizam a qualidade de vida da família, optam pela vida provinciana tranquila e honesta.

A fuga da capital não é um modismo. Ela observou-se nos anos 90 e ainda está em curso. Se os parisienses vão embora, os habitantes das províncias nem pensam em se transferir para a capital.

Segundo uma pesquisa do semanário L’Express, já são muitas as empresas que precisam dar incentivos para convencer os funcionários a se transferirem para a metrópole. O grito de dor se ergue das famílias que amam a natureza e a paz e que já não suportam as greves do metrô e o tráfego infernal. “Tudo, menos a capital!” é o seu slogan.

Há os que em um mês vendem apartamento, carro, pedem demissão e se transferem para uma casa perdida na província para que os filhos possam brincar em um jardim; há também os que, sem vislumbrar uma futura promoção, decidem mudar para uma cidade menor para ter uma vida mais justa; e quem guardou dinheiro para não ter que se estressar 12 horas por dia e ficar neurótico no tráfego ou com as greves e voltar para casa com a pele enegrecida pelos gases dos escapamentos.

Há quem muda de vida e não pretende voltar atrás. Por nada no mundo um ex-empresário que se mudou para os vinhedos de Borgonha ou para a bucólica Provença voltaria ao purgatório parisiense tão conhecido. Viver bem, com saúde e em paz tornou-se uma obsessão.

Os demógrafos explicam que nos anos 80 já tinham ido embora 300 mil pessoas. Hoje, o fluxo migratório é mais acentuado porque ninguém precisa, como no passado, viver necessariamente em Paris para estudar ou conseguir emprego. Se este ritmo continuar, a capital francesa ficará despovoada quando estiver com um milhão a menos de pessoas em 2010. A maioria dos que fogem da capital são casais de 30 anos que procuram por um investimento imobiliário impossível de se achar em Paris com salários normais.

Ao lado dos migrantes, nasceu a subespécie dos solteiros geográficos e que são os que não abraçam nem uma causa nem outra: continuam a trabalhar em Paris, mas mantém a família distante dos tentáculos metropolitanos. Voltam para casa todas as noites em TGV (os trens de alta velocidade) ou de avião.

Observando o fenômeno do ponto de vista da província, ocorre o fenômeno incomodo da chegada em massa de parisienses presunçosos que querem ganhar um salário maior só porque vieram da capital. No entanto, quem deixa Paris sabe que o preço é ganhar de 25% a 30% menos por aquele raio de sol a mais. Os lugares mais procurados não são a Costa Azul ou Provença, mas a região sudoeste perto de Bordeaux.

Hoje verifica-se que as tendências já não cosmopolitas e que Paris de Montmartre, os passeios às margens do Sena, os museus e as filarmônicas sobrevivem apenas para os turistas e para os admiradores de Amelie Poulain.