França vive novo dia de protestos contra lei trabalhista

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Publicado segunda-feira, 3 de abril de 2006 as 12:10, por: cdb

Sindicatos e estudantes universitários e secundaristas franceses preparam uma uma nova jornada de manifestações que deve acontecer nesta terça-feira, na quinta mobilização nacional contra uma polêmica lei trabalhista. Mais de 1 milhão devem ir às ruas. Protestos e greves de funcionários públicos, dos transportes, da educação e de várias empresas privadas devem acontecer em toda a França. Em Paris, a principal manifestação terá início na praça da República e terminará na praça da Itália. Muitos efetivos policiais serão destacados para impedir distúrbios como os ocorridos em protestos anteriores.

Quatro dos principais sindicatos de educação nacional e líderes estudantis convocaram greve geral nesta terça-feira. Os transportes públicos devem ser muito prejudicados, assim como os serviços de correios e telecomunicações, os bancos, e os setores de energia, química, comércio, construção e metalurgia. A mobilização sindical conta com o apoio de 11 partidos de esquerda.

Protestos

Os protestos contra a implantação do Contrato do Primeiro Emprego (CPE), no entanto, não impediram que a lei entrasse em vigor neste domingo, após ter sido publicada no Diário Oficial da França. Assim, o presidente francês, Jacques Chirac, cumpriu sua promessa de que sancionaria a nova lei trabalhista, apesar da rejeição por parte da maioria dos franceses e de quase dois meses de grandes manifestações.

Mas Chirac pediu ao governo do premiê Dominique de Villepin que todos os pontos mais criticados da lei sejam modificados. A lei pretende reduzir o desemprego entre os jovens, facilitando sua contratação. Mas uma cláusula, que permite ao empregador demitir sem justificativa ou indenização, desagrada os jovens. Líderes no Congresso da União pelo Movimento Popular (UMP), partido governista majoritário na Assembléia Nacional, equivalente a nossa Câmara dos Deputados, e no Senado, receberam neste sábado a incumbência de preparar uma proposição de lei para modificar os pontos polêmicos do CPE, após uma série de diálogos com os sindicatos.

A controvérsia ocorre antes das eleições no país, previstas para 2007. Pesquisas apontam que a popularidade de Villepin está em queda, e a oposição afirma que irá revogar a nova lei caso vença as eleições.