França inicia julgamento sobre incêndio no túnel Mont Blanc

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Publicado segunda-feira, 31 de janeiro de 2005 as 19:42, por: cdb

Quatro empresas e 12 indivíduos começaram a ser julgados na segunda-feira na França por homicídio culposo, relativo à morte de 39 pessoas em um incêndio no túnel Mont Blanc, em 1999.

O caminhoneiro belga Gilbert Degrave, o prefeito da cidade de Chamonix, Michel Charlet, as agências reguladoras responsáveis pelo túnel fronteiriço na França e na Itália e funcionários da empresa apareceram no tribunal, diante do olhar de parentes das vítimas.

– Esperamos que os administradores reconheçam seus erros – disse Jean-Pierre Petitot, cuja esposa perdeu os pais, uma tia e um tio no incêndio – É importante ouvir dos seus próprios lábios que eles não foram competentes.

O desastre foi provocado por um incêndio em um caminhão com placas da Bélgica que transportava margarina e farinha. O fogo apanhou 30 carros de surpresa dentro do túnel e levou dois dias para ser debelado.

O julgamento, que deve durar até 29 de abril, vai ouvir cerca de 180 testemunhas e especialistas. Será o primeiro teste importante de uma lei francesa de 2000 que torna mais difíceis as condenações por homicídio culposo (sem intenção).

Se condenados, os indivíduos podem pegar até três anos de prisão, além de multa de 45 mil euros (58.500 dólares).

As empresas em julgamento são a montadora sueca Volvo, que fabricou o caminhão, a italiana SITMB e a francesa ATMB, ambas concessionárias do túnel, e sua subsidiária de gerenciamento. Elas também podem ser multadas em 45 mil euros, além de serem postas sob observação judicial.

Teoricamente, as empresas também poderiam ter parte de suas atividades suspensas, mas os advogados consideram isso extremamente improvável.

Os promotores afirmam que um defeito no motor do caminhão Volvo provocou um vazamento de óleo que levou ao incêndio. A Volvo nega responsabilidade, dizendo que o vazamento pode ter sido acidental.

– Garantimos a confiabilidade e a qualidade de todos os caminhões que produzimos em nossa fábrica. Estamos certos de que o fogo não foi causado por uma falha de projeto ou manutenção –  disse o assessor de imprensa da montadora, Tommy Kohle, em nota.

A SITMB (Sociedade Italiana para Ações para a Transposição do Monte Bianco) anunciou na sexta-feira a criação de um fundo de 13,5 milhões de euros para indenizar as vítimas do desastre, o que não livra a empresa da ação judicial.

As três outras empresas não quiseram fazer ofertas semelhantes para cerca de 250 parentes de vítimas, que viajaram de dez países para acompanhar o julgamento na cidade alpina de Bonneville, no sudeste da França.

– Estas pessoas estão aguardando seu confronto com aqueles que eles consideram responsáveis por seu sofrimento – disse o advogado Alain Jakubowicz, que representa as vítimas.

– A questão é onde a cadeia de responsabilidade começa ou termina. A catástrofe do Mont Blanc não tem nada a ver com destino, os cinco anos de inquérito revelaram o que realmente aconteceu –  afirmou.

A promotoria afirma que os concessionários do túnel não fizeram os investimentos necessários e não forneceram treinamento adequado a seus funcionários ao longo dos anos anteriores ao acidente.

Haverá tradução simultânea do julgamento para o inglês, o italiano e o alemão. A França está oferecendo ajuda psicológica aos parentes das vítimas e bancando os custos da viagem.