França e Rússia reiteram oposição à guerra mas conflito é inevitável

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 10:27, por: cdb

A França e a Rússia estão resistindo às pressões de última hora para que seja aprovada uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o Iraque, enquanto os preparativos para a guerra estão sendo acelerados. O conflito, no entanto, é inevitável para a maioria dos analistas internacionais. Diante do fim do prazo imposto pelos Estados Unidos para uma nova resolução – que expira na noite desta segunda-feira -, não há sinais de que os governos de Paris e Moscou, que ameaçam vetar a nova resolução por uma ofensiva militar, vão mudar de opinião.

Com isso, fica cada vez mais próxima a possibilidade de um conflito no Iraque ocorrer sem o suporte da ONU. Um exemplo disso foi o fato de que, nesta segunda-feira, um dos chefes dos inspetores de armas, Mohamed El Baradei, confirmou que os Estados Unidos aconselharam a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a começar a retirada do seu pessoal do Iraque.

O presidente George W. Bush disse, nesta segunda-feira, que gostaria de ver a “hora da verdade para o mundo”, ao estabelecer o fim do prazo para a ONU aprovar uma nova resolução.

‘Erro’

No entanto, o ministro do Exterior da França, Dominique de Villepin, reiterou que uma nova resolução seria inaceitável, enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, insistiu que qualquer solução não diplomática seria um “erro”.

“Qualquer outra solução seria um erro e custaria vidas, o que é inaceitável e desestabilizaria a situação em geral”, disse o líder russo, segundo a agência de notícias russa RIA.

A China, o outro país membro do Conselho com direito a veto que se opõe à ofensiva militar, também manteve sua opinião de que a questão do Iraque deve ser resolvida na ONU.

O Conselho de segurança deve começar uma reunião a portas fechadas por volta de 10 h (meio-dia, na hora de Brasília).

Fontes da Casa Branca afirmam que, se ficar claro que não haverá progresso possível, o presidente Bush pode fazer um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV ainda na noite desta segunda-feira.

O correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, disse que o discurso de Bush não deverá ser uma declaração de guerra, mas deve dar a Saddam Hussein apenas algumas horas para deixar o Iraque ou enfrentar um ataque americano.

Cronograma

Enquanto isso, os governos dos Estados Unidos e dos seus aliados na Grã-Bretanha, já recomendaram a saída de todos os seus diplomatas não essenciais e de suas famílias do Kuwait, de Israel e da Síria, por causa do risco de um conflito iminente.

Outro sinal de um ataque pode ocorrer em breve é que a ONU interrompeu as suas operações de vigilância sobre a fronteira entre o Iraque e o Kuwait nesta segunda-feira, segundo um representante da ONU no Kuwait.

A resposta do Iraque ao ultimato dado pelo presidente Bush foi uma ameaça: a guerra será lutada em todo o mundo.

Depois de semanas de jogo diplomático, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Espanha conseguiram aparentemente convencer apenas a Bulgária, entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança, a aprovar uma nova resolução.

Para aprovar uma nova resolução, seriam necessários nove votos, além de não haver nenhum veto dos membros permanentes do Conselho.