França adverte que não apoiará ação prematura contra o Iraque

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Publicado terça-feira, 21 de janeiro de 2003 as 23:30, por: cdb

Com termos abertos e pouco comuns que foram direcionados aos EUA, a França afirmou na segunda-feira que não apoiará qualquer resolução do Conselho de Segurança para um ataque contra o Iraque nas próximas semanas.

O ministro do Exterior da França, Dominique de Villepin, acusou Washington de “impaciência” no confronto com Bagdá sobre as armas ilegais e acrescentou: “Nós acreditamos que nada hoje justifica uma ação militar”. Em uma repreensão pública, De Villepin não descartou a possibilidade da França usar seu poder de veto, caso os EUA pressionem o conselho, ao final deste mês, a autorizar uma guerra contra o Iraque.

Mas segundo os diplomatas, De Villepin afirmou ao secretário de Estado Colin L. Powell, em encontros reservados, que a França estaria inclinada a apoiar a guerra caso os inspetores confirmassem, após dois meses de trabalhos, que o Iraque não pretende se desarmar pacificamente.

Diferenças abertas com Washington sobre o passo e efetividade das inspeções também foram manifestadas na segunda-feira pela China, outra nação do Conselho de Segurança com poder de veto, e pela Alemanha. O ministro do Exterior da China, Tang Jiaxuan, qualificou o relatório que os inspetores apresentarão ao conselho em 27 de janeiro como “um novo início” e não um relato final.

O ministro do Exterior da Alemanha, Joschka Fischer, afirmou que o “Iraque cumpriu completamente todas as resoluções relevantes e que os inspetores deveriam ter “todo o tempo que fosse necessário”.

Powell aparentemente foi tomado de surpresa pela resistência, em especial dos franceses. A oposição foi apresentada durante o encontro de ministros do Exterior de 13 dos 15 países do Conselho de Segurança, que foram reunidos pela França – que está presidindo o conselho neste mês – para a discussão dos meios para se derrotar o terrorismo global.

Afastando-se de suas declarações preparadas, Powell afirmou que o conselho será obrigado a “realizar um julgamento” sobre a cooperação iraquiana depois que o inspetor-chefe da ONU apresentar seu relatório em 27 de janeiro.

Ele convocou o conselho a “não se eximir de suas responsabilidades” ou “não se paralisar na impotência”, mas não confirmou se Washington buscaria uma resolução para autorizar a guerra.