Fraga Neto aponta quadro de incerteza política como fator de queda do real

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Publicado segunda-feira, 5 de novembro de 2001 as 19:50, por: cdb

O real pode ter atingido seu ponto mais baixo em relação ao dólar norte-americano, mas o mercado pode ainda pode sofrer um impacto relacionado às eleições presidenciais de 2002, declarou o presidente do Banco Central do Brasil, Armínio Fraga, em entrevista publicada pelo jornal O Globo neste domingo.

o presidente do Banco Central disse que os mercados locais estão refletindo a incerteza sobre as eleições presidenciais de 2002.

“As nossas políticas não vão mudar”, afirmou Fraga. “Hoje, existe um certo pessimismo sobre quem pode ganhar em 2002, que é refletido nos preços do mercado”.

Mas Fraga acrescentou que não sabe até que ponto os mercados estão refletindo o impacto das eleições.

“É por isso que nós não podemos descartar uma piora da situação no próximo ano nem podemos descartar uma melhora”, disse.

Para o presidente do Banco Central, “dificilmente as políticas de estabilidade fiscal e de baixa inflação seriam descarriladas pelo próximo governo”.

“Quem quer sentar na cadeira do presidente e fazer explodir tudo?”, perguntou.

Fraga declarou também que uma solução para a crise financeira da Argentina “não é fácil”, embora o Brasil – a maior economia da América Latina – esteja “se distanciando do risco (financeiro) da Argentina”.

A moeda brasileira sofreu uma aguda desvalorização, nos últimos meses, em grande parte devido às preocupações sobre a situação no país vizinho, que se encontra atualmente em seu quarto ano de recessão. Desde janeiro de 1999, houve uma queda de quase 60 por cento.

Mas, na semana passada, o real apresentou sinais de fortalecimento em relação à moeda norte-americana, apesar das preocupações internacionais.

Perguntado sobre o real, Fraga disse que “pode ser” que a moeda tenha atingido seu ponto mais baixo, acrescentando: “Alguns (investidores) podem perder dinheiro”.

Apesar do contágio argentino na economia brasileira, das taxas mais altas e da desaceleração da economia global, neste ano, Fraga disse que as estimativas ainda são de que o país vá crescer dois por cento em 2001.

Em janeiro passado, as previsões eram de cinco por cento.

“Talvez nós não sejamos tão vulneráveis como se pensava”, disse Fraga, que confia num maior volume de exportações, com a previsão de um superávit comercial de cinco bilhões de dólares em 2002.