Fox é denunciado por detenção irregular ao CIDH

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Publicado quinta-feira, 13 de março de 2003 as 16:39, por: cdb

A defesa do ex-titular da Comissão Nacional Bancária e de Valores (CNBV) do México Eduardo Fernández, que denunciou a lavagem de dinheiro na campanha presidencial de Vicente Fox, apresentou um processo contra o governante na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Esta denúncia pretende mostrar que as detenções de Fernández e seu de secretário, Luis González, foram irregulares e por motivos políticos, segundo as declarações do advogado Antonio Collado, nesta quinta-feira, ao jornal El Universal.

Collado afirmou que antes da apreensão de ambos, Fox emitiu declarações sobre as investigações judiciais que foram instruídas contra eles e comentou que deveriam se preocupar.

Eduardo Fernández foi detido no final de fevereiro em um hotel da capital mexicana, por ordem da Procuradoria Geral da República (PGR, Procuradoria), de onde tentava fugir enquanto seu secretário foi preso poucos dias depois.

Posteriormente, um juiz ordenou sua prisão domiciliar por um período de 30 dias para ser investigada sua suposta responsabilidade nos delitos de lavagem de dinheiro e violação de sigilo bancário.

O ex-titular da CNBV foi detido um dia após denunciar publicamente que durante a campanha presidencial de Vicente Fox teria acontecido lavagem de dinheiro e que o presidente estava encabeçando uma “operação de Estado” para encobrir o delito.

A campanha presidencial de Fox é investigada pelo Instituto Federal Eleitoral (IFE) por denúncias de recebimento de dinheiro do exterior, o que é expressamente proibido pela legislação mexicana.

A PGR reconheceu além disso que recentemente estava indagando se teriam sido usados fundos de procedência ilícita e se foi cometido delito de lavagem de dinheiro na campanha.

A polêmica levantada pela denúncia de Eduardo Fernández levou o Congresso mexicano a pedir a Fox que designe um procurador especial para investigar o grupo “Amigos de Fox”, organização civil constituida para arrecadar fundos para sua campanha e que é acusada de cometer as irregularidades.

A decisão foi tomada na noite da última quarta-feira pela Comissão Permanente, que substitui o Parlamento durante os recessos legislativos, com a oposição do governista Partido Ação Nacional (PAN), no qual milita Fox, que considerou que não existem elementos para fazer esta solicitação.

Além disso, o PAN disse que estes fatos “colocam em risco a confiança, governabilidade, credibilidade e legitimidade do esforço democrático que o México desenvolveu nos últimos anos”.

O Congresso disse que o procurador especial deve ser uma pessoa “de honra comprovada, reconhecimento profissional e de reconhecida imparcialidade política”.