Fotógrafos acusam EUA de censurar imagens de tiroteio

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Publicado segunda-feira, 5 de março de 2007 as 12:54, por: cdb

A agência de notícias Associated Press vai apresentar às autoridades militares norte-americanas queixa de dois jornalistas que disseram ter tido imagens de suas câmaras apagadas por soldados dos EUA. Segundo os jornalistas, os soldados tomaram as máquinas e eliminaram imagens que mostravam o local de um ataque no Afeganistão.

Oito civis morreram e 35 pessoas ficaram feridas no incidente, que foi condenado pelo presidente afegão, Hamid Karzai. De acordo com os jornalistas autônomos, que prestavam serviço à AP, as câmeras continham ainda o vídeo de um veículo em que três pessoas foram mortas a tiros. Porta-voz militar norte-americano, David Accetta disse que não tinha nenhuma confirmação de que as forças da coalizão “estiveram envolvidas (em atividades de) confiscar câmeras ou apagar imagens”.

O incidente, que os americanos descreveram como uma “emboscada complexa”, resultou na morte de oito civis afegãos. Os militares norte-americanos contaram que um de seus comboios de fuzileiros foi atacado por um homem-bomba perto de Jalalabad. Em seguida, começou um forte tiroteio. Testemunhas locais disseram que os soldados dos Estados Unidos dispararam contra civis que estavam próximos ao local, uma estrada movimentada. As tropas norte-americanas afirmam ter respondido ao fogo inimigo.

Um fotógrafo autônomo a serviço da Associated Press e um cinegrafista que trabalhava para a AP Television News disseram ter chegado ao local cerca de meia hora depois do atentado suicida. Eles avistaram um carro em que, segundo testemunhas, estavam três civis mortos pelas forças norte-americanas.

– Quando eu cheguei perto do veículo, vi os americanos tirando fotos do mesmo carro, então comecei a tirar fotos. Dois soldados com um tradutor chegaram e disseram: ‘Por que vocês dois estão tirando fotos? Vocês não têm autorização’ – disse o fotógrafo Rahmat Gul.

Gul disse que os soldados pegaram sua câmera, apagaram suas fotos e a devolveram.Khanwali Kamran, repórter do canal afegão Ariana Television, disse que os soldados norte-americanos também apagaram seu vídeo, noticiou a AP.

– Eles advertiram que, se ele fosse exibido, ‘você vai enfrentar problemas’ – afirmou Kamran, segundo a agência de notícias.

Ato condenável

A ONG Repórteres Sem Fronteiras condenou a suposta ação das forças norte-americanas e criticou a maneira como eles lidaram com a imprensa.

– Por que os soldados fariam isso se não tinham nada para esconder? – questionou Jean François Julliard, porta-voz da organização, sediada em Paris.

O incidente envolvendo norte-americanos levou centenas de pessoas às ruas de cidades do Afeganistão para protestar contra a morte dos civis. Autoridades afegãs lançaram uma investigação sobre as circunstâncias do ataque. Em nota oficial, o presidente Karzai condenou o incidente.