Fórum Social termina com show e caminhada

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Publicado segunda-feira, 31 de janeiro de 2005 as 11:49, por: cdb

Depois de cinco dias de debates, manifestações, conferências e atividades culturais, termina nesta segunda-feira em Porto Alegre o 5º Fórum Social Mundial (FSM). A programação começou às 11h30 com uma caminhada dos participantes até o anfiteatro Pôr-do-Sol levando murais com propostas do Fórum.

Às 13h, haverá um show de despedida, com apresentações musicais e de dança. Integrantes do Movimento Negro e do grupo musical Tambores pela Paz estarão na festa, onde formarão um mapa humano da África, continente escolhido pelo Conselho Internacional do FSM para sediar o encontro em 2007.

Hacker do bem

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, defendeu neste 5° Fórum Social Mundial o uso do software livre. Gil afirmou ser “hacker” em espírito e vontade, posição que, segundo ele, significa “ter postura humanista, de quem busca a construção de uma nova cidadania, da sociedade da informação”.

– Sou ministro, sou músico, mas sou, sobretudo, um ‘hacker’ em espírito e vontade. Todos aqui sabem que sou um defensor, um praticante, quase mesmo um usuário, espero ainda um dia poder ser totalmente um usuário, um entusiasta sem dúvida do software livre, dos instrumentos de realização de redes virtuais e remotas dos programas de inclusão digital.

Gil, que participou de inúmeras atividades no fórum, deixou claro durante a palestra “Implicações Sociais das Revoluções Digitais” sua preferência pelo tema do software livre.

– Confesso a vocês que a minha agenda, o meu território, o meu movimento, enfim, aquilo que me parece mais contemporâneo e desafiador, está aqui. Eis a minha escolha pessoal e intransferível.

O ministro da Cultura também propôs o lançamento da campanha “Convocação Global Pela Liberdade Digital da Humanidade”, uma alusão à campanha “Chamada Global para a Ação Contra a Pobreza”, lançada no último dia 27 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no FSM.

Chávez


O discurso do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi repleto de citações à trajetória de líderes latino-americanos, principalmente os ligados à esquerda: Ernesto Che Guevara, Simon Bolívar, San Martí, Emiliano Zapata e Luís Carlos Prestes.

Chávez lembrou aos participantes do Fórum Social Mundial a importância de se resgatar os ideais da Conferência de Bandung, em 1955. Na época, a capital da Indonésia ficou conhecida por receber representantes de 29 países da África e Ásia, unidos por um mesmo questionamento: qual seria o lugar do terceiro mundo diante da polarização entre norte-americanos e soviéticos na Guerra Fria.

– Estar no Sul me faz recordar que em abril se comemoram 50 anos: a Conferência de Bandung, onde nasceu o movimento dos não-alinhados. A Conferência foi convocada por Josip Broz Tito [Iugoslávia], Jawaharlal Nehru [Índia] e lançou a consciência do sul e a Comissão do Sul – explicou.

Na comparação com o momento atual, Hugo Chávez considerou que o hemisfério sul, onde estão concentrados os países em desenvolvimento, reúne a “consciência” da mudança do mundo.

– Onde há mais consciência sobre a necessidade de mudanças urgentes, rápidas e profundas é no sul do mundo – acredita.