Forte reação à ‘chantagem’ de Marum leva governadores do Nordeste a escrever carta

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Publicado quarta-feira, 27 de dezembro de 2017 as 16:47, por: cdb

Os executivos estaduais pedem, na carta, que Temer “reoriente” seus ministros; para evitar práticas classificadas pelos signatários como “criminosas”.

 

Por Redação – de Brasilia e Fortaleza

 

Governador do Ceará, Camilo Santana (PT) anunciou, nesta quarta-feira, uma carta de governadores do Nordeste contra o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB). “Se eu fosse presidente, demitiria esse ministro hoje mesmo”, disse Camilo, a jornalistas. No documento, os governadores prometem acionar política e judicialmente os agentes públicos envolvidos, caso a “ameaça” de Marun se confirme.

Marum, um dos deputados aliados do hoje presidiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ), esteve no encontro com Temer
Marum foi chamado de ‘chantagista’ por governadores do Nordeste

“Os governadores do Nordeste vêm manifestar profunda estranheza com declarações atribuídas ao Sr. Carlos Marun, ministro de articulação política. Segundo ele, a prática de atos jurídicos por parte da União seria condicionada a posições políticas dos governadores. Protestamos publicamente contra essa declaração e contra essa possibilidade e não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme”, diz o documento ao qual a reportagem do Correio do Brasil teve acesso.

Práticas criminosas

Os executivos estaduais pedem, na carta, que Temer “reoriente” seus ministros; para evitar práticas classificadas pelos signatários como “criminosas”.

“Vivemos em uma Federação, cláusula pétrea da Constituição; não se admitindo atos arbitrários para extrair alinhamentos políticos, algo possível somente na vigência de ditaduras cruéis. Esperamos que o presidente (de facto) Michel Temer reoriente os seus auxiliares, a fim de coibir práticas inconstitucionais e criminosas”, diz a carta.

Na véspera, em entrevista coletiva, Marun admitiu que o Palácio do Planalto pressiona os governadores a trabalharem a favor da aprovação da reforma da Previdência. Em troca dos votos, promete a liberação de recursos em financiamentos de bancos públicos, como a Caixa.

— Realmente o governo espera daqueles governadores que têm recursos a serem liberados, financiamentos a serem liberados, como de resto de todos os agentes públicos, reciprocidade no que tange à questão da (reforma da) Previdência — disse o integrante da equipe presidencial.

Chantagem

Marun negou, porém, que via a negociação como uma espécie de “chantagem”.

— Financiamentos da Caixa são ações de governo. Senão, o governador poderia tomar esse financiamento no Bradesco, não sei onde. Obviamente, se são na Caixa Econômica, no Banco do Brasil, no BNDES, são ações de governo; e nesse sentido entendemos que deve, sim, ser discutida com esses governantes alguma reciprocidade no sentido de que seja aprovada a reforma da Previdência. (Que é) uma questão que entendemos hoje de vida ou morte para o Brasil — tentou explicar. Pela reação imediata dos governadores, não conseguiu.

Leia, adiante, a carta divulgada pelos governadores do Nordeste:

“Os governadores do Nordeste vêm manifestar profunda estranheza com declarações atribuídas ao Sr. Carlos Marun, ministro de articulação política. Segundo ele, a prática de atos jurídicos por parte da União seria condicionada a posições políticas dos governadores.

Protestamos publicamente contra essa declaração e contra essa possibilidade, e não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme. Vivemos em uma Federação, cláusula pétrea da Constituição, não se admitindo atos arbitrários para extrair alinhamentos políticos, algo possível somente na vigência de ditaduras cruéis.

Esperamos que o presidente Michel Temer reoriente os seus auxiliares, a fim de coibir práticas inconstitucionais e criminosas”.