Forças internacionais não impedem violência no Timor Leste

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Publicado sexta-feira, 26 de maio de 2006 as 10:49, por: cdb

O Timor Leste permanece, nesta sexta-feira, em meio ao caos, com tiroteios entre forças oficiais e rebeldes, enquanto se tenta evitar, com a chegada das tropas internacionais, que a violência acabe em uma guerra civil.

Nesta semana, os confrontos deixaram 20 vítimas fatais, entre elas 12 policiais desarmados, mortos por tiros de soldados. Kirsty Sword Gusmão, esposa do presidente timorense, chegou a dizer que “não está claro quem comanda o Exército”.

Forças australianas, malaias e neozelandesas chegaram à capital para colocar fim à violência, enquanto o contingente de Portugal ainda deve chegar.

Além disso, o número total de vítimas cresceu devido à trágica morte de seis membros de uma família, no incêndio de uma casa em Dili, perto do aeroporto.

Os corpos carbonizados da mãe e dos cinco filhos – entre eles um bebê – foram encontrados, nesta sexta-feria, dentro da casa. Segundo os vizinhos, a família era parente do ministro do Interior timorense, Rogério Lobato.

Tropas neozelandesas foram na casa e disseram que pedirão aos representantes da ONU para analisar o local antes de retirar os cadáveres.

Esta não foi a única família vítima dos ataques. Há especulações de que essas tragédias não são obra dos 591 ex-soldados que foram expulsos do Exército – e que originaram a onda de violência que afeta o Timor Leste há semanas – mas de militares na ativa.

– Parece que estão atacando as famílias de oficiais da Polícia, foi isso que me disseram  – disse a esposa do presidente Xanana Gusmão.

O diretor da missão da ONU no Timor, Sukehiro Hasegawa, mostrou-se indignado pela possibilidade de que soldados do Exército tenham atirado contra os policiais ontem, deixando 12 mortos e 20 feridos, entre eles dois funcionários da ONU.

Os confrontos entre o corpo de segurança timorense e os 591 militares –  um terço das Forças Armadas –  expulsos há cerca de dois meses, após uma longa greve por melhores condições trabalhistas, pioraram esta semana com a proliferação de facções envolvidas.

O ministro das Relações Exteriores timorense, José Ramos Horta, disse a uma rádio neozelandesa que espera que as facções em conflito comecem a negociar a paz no domingo. Segundo Horta, o presidente Xanana Gusmão comandaria as negociações, e as conversas de paz aconteceriam logo após o fim dos confrontos violentos.

As tropas australianas já foram mobilizadas em lugares estratégicos em torno da capital, para deslocar as facções rebeldes para fora do centro de Dili.

Junto com tropas timorenses, as forças da Austrália estabeleceram hoje um perímetro de segurança na capital com o objetivo de evitar o colapso das instituições do Estado.

– O perímetro de segurança abrange os escritórios dos quatro pilares do Estado incluindo as casas dos presidentes da República, do Parlamento e da Corte de Apelações, e do primeiro-ministro – informou a nota de imprensa divulgada pelo escritório do primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri.

– Além disso, há a vigilância da rede de energia, das torres de comunicação, da reserva de água, do Hospital Nacional e do aeroporto, entre outros pontos importantes- acrescenta a nota. O presidente timorense teria ajudado a definir o perímetro.

Cerca de 350 soldados australianos já estão no país, enquanto 950 chegarão entre as próximas 24 e 48 horas em vários Hércules C-130 que passaram a fazer uma ponte aérea entre Darwin e Dili, afirmou o ministro da Defesa australiano, Brendan Nelson.

As tropas usarão a força necessária para evitar mais mortes e proteger as infra-estruturas e a si mesmos, disse Nelson.

A prioridade é restabelecer a normalidade o mais rápido possível, disse o ministro australiano. Devido à situação, a World Vision – uma das organizações de ajuda humanitária que trabalha no Timor Leste – advertiu que seus três centros em Dili já estão com mais de 25 mil refugia