Folha: uma “barriga” ou fez de propósito?

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Publicado quarta-feira, 23 de março de 2011 as 13:40, por: cdb

Nesta caso do ministro das Relações Anteriores e a manchete forçada que ele rendeu à Folha de S.Paulo, eu acho que o que aconteceu é que o jornal comeu bola, publicou uma barriga (no jargão jornalístico, notícia infundada, que sequer ocorreu) e a posição correta do chanceler é a externada por ele na palestra com que deu a aula inaugural da Faculdade de Relações Intrernacionais da USP (leiam post acima).

Até porque o jornal, não faz quanto a isso nenhum esclarecimento na 1ª página, mas internamente diz que o ministro não citou nominalmente nesse trecho da palestra nem a Líbia nem o presidente Muamar Kaddhafi. O que, aliás, fica claro, na matéria sobre a fala do ministro publicada pelo site Opera Mundi e que eu linko aqui para que todos vocês leiam.

Em sua palestra, vê-se pelo publicado no Opera Mundi , o ministro reafirma exatamente a posição correta da diplomacia brasileira: continua abstendo-se em relação à resolução 1973, é contra a intervenção e o bombardeio de civis na Líbia, entende que o documento aprovado pelo Conselho de Segurança não admite isto em trecho algum e nem desce ao detalhe de tratar de deposição, muito menos assassinato do presidente Kaddhafi como na prática lutam EUA e potências aliadas.

Não sei de onde a Folha tirou essa sua interpretação da manchete que dá hoje – insisto, só na manchete. Inclusive porque a presidenta Dilma Rousseff, em Manaus, ainda, ontem, no lançamento do programa de prevenção de câncer de mama, reiterou a posição do Brasil.

O Brasil, destacou sua presidenta, continua pró-abstenção mesmo quanto aresolução aprovada pela ONU e contra qualquer tipo de intervenção na Líbia, bombardeio e morte de civis e deposição de seu governo. Como é que a presidenta ia falar uma coisa em Manaus (e a própria Folha publica suas declarações) e o ministro Patriota outra em São Paulo?