Flamengo e Vasco boicotam torneio Rio-SP

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Publicado terça-feira, 11 de dezembro de 2001 as 00:05, por: cdb

Em represália às investigações de que foram alvo, os presidentes do Vasco, Eurico Miranda, e do Flamengo, Edmundo Santos Silva, decidiram boicotar o Torneio Rio-São Paulo. Segundo o dirigente vascaíno, ambos os clubes só participarão da competição se ela for realizada no modelo antigo, com um total de oito clubes (Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo, São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos).

“Estamos fora, por causa da situação que as CPIs criaram e da tentativa de manchar o futebol carioca”, irritou-se Eurico. “E não vamos parar por aí. Vai ter muito mais.” Eurico explicou que o antigo contrato para a realização do Rio/São Paulo, com um total de oito clubes, não foi rescindido (por isso, Vasco e Flamengo não sofreriam punição ao recusarem participar do novo modelo de disputa). O documento poderia ser alterado somente com a concordância de todos os clubes participantes da competição, de acordo com o dirigente.

O presidente do Vasco ainda se mostrou descrente quanto à formação e ao sucesso das ligas. Ele frisou que tanto seu clube quanto o Flamengo não participarão de nenhum campeonato onde haja este tipo de “intervenção do governo”.

“Duvido que eles consigam realizar algo sem a participação de Vasco e Flamengo”, desdenhou Eurico. A decisão dos dirigentes foi motivada, principalmente, porque ambos tiveram os nomes citados no relatório final da CPI do Futebol, no Senado. O fato serviu para embasar a inusitada aliança entre Vasco e Flamengo, que simbolizam a grande rivalidade do futebol carioca.

“Para resguardar os interesses do meu clube e do futebol do Rio vale tudo. Aceito até me juntar a eles”, disse Eurico.

No relatório da CPI pesam sobre Eurico as acusações de crimes contra os sistemas financeiro e tributário, de apropriação indébita, sonegação fiscal e falsificação de documentos, além de ameaçar os integrante da CPI. Já Edmundo é apontado no documento como suspeito de crime contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e evasão de divisas.

Apesar de Eurico não admitir, a redução dos valores no pagamento das cotas de transmissão de TV do Rio-São Paulo também influenciou a decisão dos dois dirigentes. Ao final das negociações, o presidente do Flamengo não escondeu sua insatisfação, por receber o mesmo valor que os outros clubes.

Por possuir a maior torcida do Brasil, Edmundo reivindicava para o Flamengo a maior participação na distribuição do dinheiro arrecadado com a comercialização da competição. Este ponto, porém, foi uma das principais divergências que o dirigente rubro-negro teve com Miranda, durante a formação da Liga. O presidente vascaíno não aceitou receber uma parcela menor do que a do arquiinimigo.