Financial Times critica ida de Lula a Davos

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Publicado quarta-feira, 26 de janeiro de 2005 as 12:11, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ao Fórum Econômico Mundial, que começou nesta quarta-feira em Davos, na Suíça, cortejar governantes e líderes empresariais que, em outras épocas, eram considerados seus inimigos. A avaliação é de reportagem do jornal britânico Financial Times.

Segundo a publicação, Lula, que “abandonou sua ardorosa retórica anticapitalista para se eleger presidente na quarta tentativa, em 2002, tem bons motivos para bajular os sacerdotes do capitalismo”.

O jornal destaca o projeto das Parcerias Público-Privadas (PPPs), considerado o “principal atrativo oferecido por Lula, além do mais robusto crescimento econômico em uma década, registrado no ano passado”.

O presidente brasileiro quer atrair investidores estrangeiros para financiar projetos de modernização do sistema de transportes do país, entre outros projetos de infra-estrutura importantes para o crescimento do Brasil.

Para isso, leva consigo sua equipe econômica: os ministros Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), José Dirceu (Casa Civil) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Em 2004, o presidente brasileiro não compareceu ao Fórum Econômico Mundial, alegando problemas em sua agenda. No ano anterior, seu primeiro no comando do Brasil, ele esteve na Suíça.

No total, 2.250 participantes de 96 países, entre eles 25 chefes de Estado e de governo, 72 ministros e mil lideranças do mundo empresarial, foram convocados para discutir durante cinco dias questões-chave na cidade da Suíça.

Lula terá um aliado de peso no presidente francês Jacques Chirac, que vai ao fórum pela primeira vez e busca relançar a idéia de um imposto mundial em favor dos países pobres.
Sucesso e fiasco

“Fiasco social”

Outro jornal europeu, o espanhol El País, publica na edição desta quarta-feira reportagem dando conta de que o presidente brasileiro chega à metade do mandato exibindo uma trajetória de sucesso no lado econômico, mas de “fiasco” no aspecto social.

O jornal diz que os bancos brasileiros nunca faturaram tanto, em parte por causa das “astronômicas taxas de juros”, ao mesmo tempo em que movimentos sociais historicamente ligados ao partido do presidente, o PT, sacodem a credibilidade da gestão.