Finalmente Romário quebra o silêncio

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Publicado domingo, 29 de dezembro de 2002 as 23:41, por: cdb

Exatamente 105 após ter concedido a sua última entrevista, Romário rompeu o silêncio neste domingo e voltou a conversar com jornalistas. Isto aconteceu após ter desembarcado no Aeroporto Internacional Tom Jobim, procedente da Jamaica. O craque ficou 20 dias no exterior e, além do Caribe, também esteve nos Estados Unidos.

Romário chegou no Rio acompanhado pelos filhos Romarinho, Moniquinha e Danielinha e deu uma explicação simplória para o longo período de silêncio:

“Não tinha muito que falar e resolvi que meus companheiros de time deveriam fazer isso por mim. Foi bom porque se eu continuasse a dar entrevistas só eu apareceria”, disse Romário, descartando ter mágoa da imprensa devido às críticas que sofreu após ter agredido Andrei, na goleada de 6 x 0 sofrida para o São Paulo.

“Foi um erro que cometi e reconheci que não deveria ter feito aquilo, mas é um assunto superado. É verdade que li muita bobagem após o problema, fiquei triste, mas já estou acostumado com esse tipo de coisa” comentou.

Ao falar sobre futuro, foi evasivo, mas deu a entender que vai ouvir primeiro a proposta de renovação do Fluminense, clube que defendeu no Campeonato Brasileiro e diz ter muitos amigos:

“Deixei o Luisinho cuidando disso e agora vou começar a ouvir propostas. O Flu não tem exatamente uma prioridade, mas vou ouvir o que eles têm para me propor, até porque me senti muito bem lá. É um clube onde tenho muitos amigos, desde o presidente até Renato, o Ricardo Rocha e os jogadores, passando pelo Marcelo Penha vice de futebol, o Chicão (Francisco Vasconcelos, diretor de futebol), o Cacau Barbosa (supervisor)”.

O lado financeiro, de acordo com Romário, não é determinante: “Desde que voltei para o Brasil, o dinheiro não é o mais importante. Tem sua importância, claro, mas o que mais pesa para mim é o prazer que tenho de jogar futebol, coisa que quero fazer pelo menos por mais dois anos”.

Embora deixe claro que sua prioridade é continuar jogando no futebol carioca – caso não fique no Fluminense o mais provável é que retorne ao Vasco, o Baixinho disse que o interesse do Barcelona, onde jogou na temporada 1993-1994 com sucesso, massageou seu ego.

“É bom estar à beira dos 37 anos e ser cogitado por um dos maiores clubes do mundo. Fui muito feliz na minha passagem por lá, mas não sei exatamente qual a intenção deles e se há algo de oficial na sondagem”, esclareceu.

Bem disposto, apesar da viagem de mais de nove horas, Romário ainda encontrou espaço para elogiar a escolha de Ricardo Gomes, seu ex-companheiro de Seleção e adversário no Fluminense para a Seleção Olímpica, mas disse que defender as cores do Brasil não é mais uma obsessão na sua carreira.

“A escolha do Ricardo não poderia ter sido melhor. Ele é um cara preparado para o cargo e tem tudo para dar certo. Sobre a Seleção, as decepções que tive ao ficar fora de duas Copas e duas Olimpíadas fizeram com que minha vontade de jogar pelo Brasil passasse a não ser mais uma grande obsessão. Mas jogaria com prazer se fosse convocado”, concluiu.