Filme mostra luta de mulheres contrárias à ocupação israelense

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Publicado sexta-feira, 14 de março de 2003 as 09:33, por: cdb

“Women in Black” (Mulheres de Negro) filme que marca a estréia da cineasta britânica Donna Baillie, documenta a luta de mulheres que lutam contra a ocupação israelense.

O longa, que será exibido em Londres neste sábado, integra o festival de cinema Human Rights Watch – criado pela ONG homônima e dedicado a filmes de temas sociais e políticos.

A cineasta conta que ouviu falar nesse grupo de mulheres pela primeira vez em uma reportagem do jornal britânico The Guardian. A reportagem descrevia a viagem do grupo à Cisjordânia para formar escudos humanos em regiões habitadas por palestinos.

“Fiquei intrigada à medida que aprendi mais sobre elas. Suas táticas não são agressivas. O grupo começou com mulheres israelenses que eram contra o governo de Israel e sua política de ocupação. Isso me interessou ainda mais, porque essas são vozes que não costumamos ouvir”, disse a cineasta em entrevista à BBC Brasil.

Grupo londrino

Baillie conta que o movimento Women in Black se espalhou pelo mundo todo, há cerca de 150 grupos diferentes.

“Elas não lidam apenas com a questão de Israel e Palestina, mas com ações militares agressivas no mundo todo. Há grupos na ex-Iugoslávia, por exemplo. O que as une é que elas pensam que há uma forma melhor de resolver conflitos, não apenas pela força militar”, disse.

Ela viajou com o grupo londrino de mulheres em dezembro de 2001 e abril de 2002, quando elas foram para a cidade de Belém. A cineasta conta que essa foi a primeira vez que viajou para uma região de conflito.

“Foi uma situação surreal, especialmente em abril, quando o cerco a Belém estava ocorrendo e toda a cidade estava sob toque de recolher. Nós não íamos aos pontos de fiscalização do Exército israelense. Nesses locais os soldados geralmente não deixam as pessoas passarem”, disse.

“Era bizarro, porque, se você andasse algumas centenas de metros descendo a estrada, você encontraria outra forma de entrar na cidade. E isso não era segredo para ninguém, os soldados todos sabiam disso. Mas eles queriam parar as pessoas. Era como se eles estivessem lá para mostrar algo para as pessoas”, acrescentou a cineasta.

Baillie conta que os estrangeiros que não se parecem com israelenses ou palestinos podiam se mover livremente por Belém, até perto da Igreja da Natividade. Mas o clima de tranqüilidade acabava quando ela tentava fazer alguma gravação.

“Em um momento, quando as mulheres tentaram entrar em Gaza, me impediram de filmar. Duas fitas foram tomadas, sob mira de armas, por guardas de fronteira que não gostaram do que eu estava filmando. Na ocasião, eles tinham decidido que essas pessoas não deveriam ser capazes de entrarem em Gaza”, disse.

“Eles estavam escolhendo mulheres idosas e jogando-as no chão, ameaçando atirar nas pernas de todo mundo, disparando tiros para o alto, sendo violentos. Então eles tomaram minha câmera e levaram duas fitas. Eu consegui minha câmera de volta, mas as cenas filmadas tinham desaparecido”, conta Baillie.

Festival

O documentário de Donna Baillie é um dos destaques da sétima edição do festival internacional de cinema Human Rights Watch em Londres, que vai exibir 23 obras, entre filmes e documentários.

O festival teve início há 15 anos, em Nova York. Segundo Bruni Burres, diretora do festival, a intenção inicial em 1988 foi marcar os 40 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Quando a ONG abriu seu escritório em Londres, há uma década, os integrantes da ONG começaram a negociar financiamento para o festival.

Depois de sete edições, a diretora afirma que o objetivo da exibição dos filmes e documentários, todos relacionados a assuntos tratados pela Human Rights Watch, ainda é educar os espectadores.

“Eu acho que é sempre muito importante assistir a um filme em um cinema ou em um centro comunitário, mais do que assistir sozinho em casa, no vídeo, ou na televisão. Você está com um grupo de pessoas, você s