Fila na inauguração da Bienal de Arquitetura em SP

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Publicado domingo, 14 de setembro de 2003 as 22:42, por: cdb

Começou com fila e acabou em samba a abertura da 5.ª Bienal Internacional de Arquitetura e Design de São Paulo, no Parque do Ibirapuera. Segundo a organização, cerca de 15 mil pessoas foram convidadas para a abertura, que teve a presença do governador de São Paulo, Geraldo Alckim; da prefeita Marta Suplicy; e do ministro da Cultura, Gilberto Gil.

Na chegada ao pavilhão da exposição, os convidados tiveram de entrar numa fila de cerca de mil metros, por volta das 18h. Logo após a abertura, entrou em cena a escola de samba Nenê de Vila Matilde, com passistas e ritmistas, para cantar o enredo que a escola apresentará no sambódromo no ano que vem, “A Águia voa para o futuro, que legal! É Bienal no Carnaval” (Santaninha, Baby, Rubens Gordinho e Marcelo Abreu). O enredo homenageia a bienal de artes, mas a celebração foi adaptada, já que a bienal já passou (foi no ano passado).

“Encolhida” por questões de espaço e verba (o Museu de Arte Contemporânea, que fica no mesmo prédio, não cedeu seu espaço como faz habitualmente) e novamente com dívidas, a Bienal de Arquitetura logo revelou suas maiores atrações (pelo menos as que foram preferidas pelo público): a instalação da cidade de Tóquio, na seção das metrópoles, e a de São Paulo, no mesmo setor.

A primeira se vale de uma maquete gigante da cidade japonesa, com réplicas de prédios, edifícios, ruas e viadutos. Na mostra de São Paulo, a instalação audiovisual é sofisticada e de grande impacto visual.

As estrelas da festa chamaram a atenção. Logo na entrada, na área das autoridades, um encontro inesperado: o senador Eduardo Suplicy deparou-se com sua ex-mulher, a prefeita Marta Suplicy, e seu noivo, Luis Favre, que estão de casamento marcado.

Suplicy e Favre cumprimentaram-se polidamente, e Favre até ajudou o senador a arrumar o paletó, que tinha a etiqueta para fora da gola, na nuca. A prefeita Marta Suplicy foi aplaudida quando seu nome foi anunciado, mas o nome do senador Eduardo Suplicy recebeu uma grande ovação, como se fosse um astro de rock.

– Não há nada mais adequado do que o tema dessa bienal. Mais da metade da humanidade hoje vive nas grandes áreas urbanas – discursou a prefeita.

Logo a seguir, durante a visita à mostra, Marta queixou-se das inúmeras ações judiciais que estão emperrando a construção do auditório do Parque do Ibirapuera. Ela disse que queria inaugurá-lo inicialmente em janeiro, para o aniversário da cidade.

Depois, começou a trabalhar com a possibilidade de inaugurar o espaço em maio. “Agora, acho que ele só sai em setembro ou outubro, e não mais a tempo das comemorações dos 450 anos da cidade. Mas nós vamos fazer e isso é que é o mais importante para a cidade”.

O ministro Gilberto Gil foi um dos mais aplaudidos na abertura da exposição. Fez um discurso contundente. “As megacidades são entes de insegurança e medo e agressão. Arquitetos constróem as cidades ou são construídos por elas?”, indagou

Ele pediu que o ser humano volte a ser o objetivo fundamental e “insubstituível” da arquitetura e exaltou as edificações do homem do povo, “não contaminadas pela soberba”. E pediu aplausos também aos menores carentes do Projeto Guri, coral e orquestra, que executaram o hino nacional.