Fiesp cobra redução dos juros

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 30 de janeiro de 2002 as 19:33, por: cdb

A Fiesp cobrou do Banco Central (BC) quedas nos juros básicos e nos depósitos compulsórios como forma de incentivar a economia e a atividade industrial. De acordo com a diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), Clarice Messer, não há motivo para que o BC não tome essas medidas. “Neste momento de demanda fraca e de ociosidade elevada da capacidade industrial não há perigo de contaminar os preços e reacender a inflação”, afirmou. Segundo ela, os juros reais (descontada a inflação) estão hoje em 13% mas se o BC reduzisse os juros básicos dos atuais 19% ao ano para 16%, cairiam para menos de 10%. “Há espaço para ´dar um gás´ na atividade industrial”, disse.

Clarice afirmou ainda que a indústria paulista demoraria pelo menos nove meses para usufruir da redução dos juros. “Cautela também tem limite”, criticou. Segundo a diretora, caso os juros tivesse m sido cortados há alguns meses, o Indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista teria tido um crescimento mais expressivo em 2001. No ano passado, o INA fechou com 2,7% de crescimento ante 2000. “Havia expectativa de fechar em 6% ou 7% de crescimento, como havia sido em 2000 ante 99 (6,5%)”, lembrou.

A Fiesp previu hoje que, apesar de um possível aumento das encomendas do comércio no início deste ano, o INA da indústria paulista deverá ser fraco nos períodos de 12 meses completados em janeiro, fevereiro e março. Segundo a previsão da entidade, o INA será cerca de 1,5% maior entre janeiro de 2001 e janeiro deste ano do que de janeiro/2000 a janeiro/2001. Nos 12 meses terminados em fevereiro, o INA deverá ficar próximo a 1,2% ante igual período anterior. Em março, segundo a Fiesp, deverá estagnar, ficando estável.

“Nos 12 meses terminados em janeiro de 2001, o INA ficou em quase 7%. É uma queda acentuada e rápida e ninguém garante que não será negativo a partir de março”, afirmou Clarice Messer. “Vamos chegar em março e dizer que a indústria pedalou, pedalou e não saiu do lugar”.