Fidel diz que EUA serão culpados se Chávez for assassinado

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Publicado sábado, 12 de fevereiro de 2005 as 12:15, por: cdb

O presidente de Cuba, Fidel Castro, alertou os Estados Unidos neste sábado contra uma suposta conspiração para matar o mais importante aliado cubano hoje, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

“Eu digo para a opinião pública mundial: se eles assassinarem Chávez, a responsabilidade será, sem dúvida, do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush,” disse Fidel.

O líder cubano, vítima de tentativas de assassinatos por parte da CIA, a agência de inteligência norte-americana, depois que a sua revolução de 1959 alinhou Cuba ao comunismo soviético, não forneceu nenhuma evidência de que a vida de Chávez estaria em risco.

Ele disse que os Estados Unidos seriam responsáveis pelo assassinato de Chávez, mesmo se fossem os militares venezuelanos os executores do ataque.

“Se eles puderem eliminá-lo, eles o eliminarão,” acrescentou Fidel.

O governo populista de Chávez firmou uma aliança entre a Venezuela, rica em petróleo, e Cuba. Isso aumenta nos Estados Unidos os temores de que um regime ao estilo do que existe em Cuba possa surgir no país sul-americano, um importante fornecedor de petróleo para os norte-americanos.

Fidel Castro, com 78 anos, afirmou ter sobrevivido a pelo menos cem tentativas de assassinato. “Isso (o alerta) vem de um sobrevivente. Eu sobrevivi,” disse ele em um discurso de seis horas, que terminou na madrugada deste sábado.

Fidel encerrou uma conferência econômica, que durou cinco dias, sobre os problemas da globalização e das políticas liberais. Ele disse que os Estados Unidos estarão perdendo tempo, se tentam derrubá-lo, pois o socialismo em Cuba é irreversível.

No entanto, segundo ele, a chamada revolução bolivariana de Chávez está numa etapa decisiva.

Ele afirmou que o governo norte-americano está furioso com Chávez e com os acordos que os líderes cubano e venezuelano assinaram em dezembro que permite Cuba adquirir petróleo da Venezuela em troca de serviços médicos e educacionais.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, já criticou as políticas de Cuba e da Venezuela.