FHC faz aceno político para Itamar

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Publicado quinta-feira, 3 de janeiro de 2002 as 22:57, por: cdb

O presidente Fernando Henrique Cardoso fez, nesta quinta-feira, um aceno político para o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). O presidente dispensou o ministro da Integração Nacional, Ney Suassuna (PMDB), da reunião com parte do ministério, realizada logo cedo no Palácio da Alvorada, para que o auxiliar fosse ao Estado de Minas Gerais verificar os prejuízos causados pelas chuvas do fim de ano e a ajuda que o governo federal pode proporcionar.

Depois dos sinais claros do governador de que pretende disputar a reeleição e não a Presidência da República, o ministro pediu ao presidente para ir ao Palácio da Liberdade, em nome do governo central, ouvir as queixas de Itamar. Permissão concedida, Suassuna desembarcou em Minas com o discurso de que a visita era fruto da determinação de Fernando Henrique de que ele levasse a solidariedade do Executivo federal ao povo mineiro.

“Foi um gesto político de boa vizinhança”, definiu o ministro em conversas com peemedebistas nesta quinta. Diante da queda do governador nas pesquisas de opinião que apontam a preferência do eleitorado na corrida presidencial, setores expressivos do PMDB e do PSDB torcem para que Itamar não só desista de concorrer ao Palácio do Planalto, como de atrapalhar a eventual parceria dos dois partidos nas eleições de outubro.

Daí a importância do gesto presidencial, mostrando que o governo federal está presente e não discriminará Minas Gerais, a despeito dos ataques constantes de Itamar. Suassuna afirma que foi muito bem recebido pelo governador e pelos secretários de Estado convidados a participar da reunião. Foram 40 minutos de conversa, em que o ministro ouviu não apenas o relato dos prejuízos, como recebeu a lista de obras reivindicadas pelos mineiros.

O relatório com a avaliação de danos apontou mais de 3 mil casas danificadas e outras 400 destruídas, além de dificuldades na malha rodoviária e os mais de 3 mil desabrigados que precisam ser socorridos. Para evitar que a situação se repita no futuro, o governador propôs a construção de quatro barragens, o que pressupõe investimentos num valor total de R$ 92 milhões.

Suassuna afirmou que seria impossível garantir recursos e construir todas as barragens neste ano. Pediu, então, que Itamar apontasse a mais importante e urgente delas. Como o gesto presidencial não implica liberação de recursos, o único compromisso firmado pelo ministro foi dar o “pontapé inicial” na construção da barragem de Itajubá, que o governo mineiro está orçando em R$ 36 milhões.