FHC diz que presidente não participa de campanha

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Publicado sexta-feira, 18 de janeiro de 2002 as 22:04, por: cdb

Um dia depois do anúncio de que o ministro da Saúde, José Serra, irá mesmo concorrer ao Planalto pelo PSDB, o presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu que apóia o candidato do seu partido. “Não há tradição no Brasil de o presidente participar de campanha eleitoral mas o presidente vai, é claro, apoiar politicamente o candidato do seu partido”, disse Fernando Henrique, por intermédio de seu porta-voz, Georges Lamazière, sem citar o nome de Serra.

O presidente regressou nesta quinta-feira de uma viagem de cinco dias à Rússia e à Ucrânia e já convocou uma reunião ministerial para a próxima quinta-feira, quando pretende anunciar as principais metas do governo neste ano e compatibilizar o Orçamento disponível com o calendário eleitoral. Nesta reunião deverá ser definida, ainda, a data da saída dos 13 ministros-candidatos. José Serra marcou para depois do Carnaval o retorno ao Senado para poder dedicar-se à campanha eleitoral, e o presidente pretende que os demais sigam o seu exemplo, transferindo as pastas a técnicos.

Mesmo anunciando que apóia Serra, Fernando Henrique tem esperança de manter a união da base governista e aproveitou para fazer um sutil apelo aos aliados. “O presidente observou que mantém a expectativa de convergência das forças políticas que apóiam o governo”, afirmou o porta-voz.

Fernando Henrique negou que sua ida a São Paulo, na próxima sexta-feira, para participar de uma solenidade na Associação Paulista de Cirurgia Dentária, ao lado do candidato tucano José Serra seja um ato de campanha. “Nada tem a ver com a candidatura de Serra. É o dia do aniversário de São Paulo, e a viagem estava marcada desde dezembro”, justificou o presidente. No dia 28 o presidente estará, mais uma vez, ao lado de Serra, participando, em Recife, de uma cerimônia com agentes comunitários de saúde.

O presidente – que dedicou esta sexta-feira a articulações e conversas com diversos líderes tucanos incluindo o presidente da Câmara, Aécio Neves – garantiu que o governo saberá diferenciar as atividades político-eleitorais, relativas aos partidos, das ações administrativas que precisam ter continuidade.