FHC diz que para governar o Brasil não é necessário grau superior

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Publicado sábado, 21 de setembro de 2002 as 00:01, por: cdb

Do alto de seus quase oito anos de experiência no cargo, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse, nesta sexta-feira, que não considera necessário ter diploma universitário para uma pessoa governar o Brasil, mas, sim, “competência”.

“É preciso ter competência”, disse.

A declaração foi feita durante a inauguração da linha de transmissão de eletricidade Tucuruí/Vila do Conde, em Barcarena, estado do Pará.

Com esta afirmação, FHC deu um basta na tese que vinha sendo apregoada por seu próprio candidato, José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com o intuito de atacar o adversário Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), que lidera as pesquisas sobre a sucessão presidencial, com possibilidade de vencer o pleito em primeiro turno.

Serra mencionara em seu programa na TV um edital da prefeitura de São Paulo, governada pelo PT, que exigia diploma de curso superior para candidatos ao cargo de fiscal de rua. Em seguida, lembrava aos eleitores que o candidato à Presidência pelo partido não tinha diploma.

O PT reclamou na Justiça Eleitoral, alegando que Serra estaria discriminando uma parcela da população e agindo com preconceito – reclamação que foi acatada por unanimidade pela corte.

Mas para quem pensou que FHC estava elogiando o PT quando disse que gostou do programa eleitoral do partido apresentado na véspera na TV, o presidente argumentou que os eleitores é que têm de avaliar as condições do candidato, levando em conta a sua capacidade de dirigir o país.

“O PT tomou muita coisa emprestada, feita em meu governo”, cutucou.

FHC voltou a criticar o mercado financeiro, que insiste em elevar a cotação do dólar frente ao real, afirmando não ver motivo que justifique o nervosismo do mercado por conta do período pré-eleitoral.

“Acho lamentável que fique essa chamada tensão pré-eleitoral. Não há razão. Creio que, independentemente de quem ganhe as eleições, os candidatos já declararam que serão fiéis aos compromissos assumidos. Até porque souberam antes de ser assinado o acordo com o FMI que iriam assumir tais compromissos. Isso não foi anunciado aos candidatos depois do acordo com o FMI”, lembrou o presidente.

Fernando Henrique reiterou sua confiança no real. “Não tenho um tostão na bolsa de valores, nem dólar. De forma que não posso fazer nada pessoalmente”, brincou.

Segundo o presidente, o governo do Brasil faz o que pode para manter a solidez da economia e controlar a ansiedade do mercado, tendo, inclusive, recebido manifestações positivas de organismos financeiros internacionais sobre a “boa situação”.

“O governo fez o que pôde. Nós hoje temos credibilidade, temos todas as declarações do mundo inteiro que mostram que o Brasil tem seus fundamentos econômicos em ordem. Agora, eu não posso impedir que pessoas comecem a especular. Não tenho meios para isso”, disse.

Fernando Henrique classificou como fundamental a mobilização popular durante os seus anos de governo, para que o Brasil pudesse se transformar e não ser mais o país do passado.

“O povo do Brasil não é do caudilho, não é do sabe tudo, do mandão, mas do diálogo. Convencer é vencer junto e estamos vencendo as dificuldades” disse o presidente.

Em seu agradecimento, o presidente fez uma pequena brincadeira: disse que se não fosse uma insolência, faria o mesmo que o Papa, e beijaria o solo do país. “Mas isso só o Papa pode”, concluiu FHC.