FHC diz que Lula respeitará compromissos de austeridade

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Publicado segunda-feira, 11 de novembro de 2002 as 23:49, por: cdb

O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta segunda-feira, durante encontro com o primeiro-ministro português, José Manuel Durão Barroso, confiar que seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, saberá respeitar os compromissos de austeridade orçamentária assumidos pelo Brasil.

“Não tenho nenhuma razão para duvidar de alguém que disse que seria esta sua política – antes, durante e depois da eleição”, destacou FHC em visita a Sintra, a 25 quilômetros a oeste de Lisboa.

Fernando Henrique e Durão Barroso participaram da reunião plenária da VI Cimeira Luso-Brasileira, no hotel Palácio de Seteais.

FHC disse que em seu último encontro com Lula, na sexta-feira à noite, ouviu o presidente eleito dizer mais uma vez que seguirá recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Segundo Fernando Henrique, a austeridade orçamentária e as políticas de luta contra a inflação são valores amplamente aceitos no Brasil, os quais não podem ser ignorados por nenhum governo.

“A sociedade brasileira dispõe de meios de pressão e de mecanismos democráticos para que sejam respeitadas as normas”, observou.

ONU e Iraque
Fernando Henrique também frisou a posição do Brasil de apoiar a decisão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) de forçar o Iraque a aceitar a retomada das inspeções sobre a existência de armas de destruição em massa.

O presidente lembrou que o Brasil tem como tradição prestigiar a ONU e fortalecer os organismos multilaterais.

“No caso do Brasil, qualquer decisão que não passe pelas Nações Unidas gera preocupação”, disse FHC, referindo-se às ameaças dos Estados Unidos de atacar por conta própria o Iraque.

“Por outro lado, trata-se de resultado de um debate e aprovado pela ONU, o que requer obediência”, completou.

Já Durão Barroso destacou que o fato de o Conselho de Segurança ter aprovado por unanimidade a resolução que determina as inspeções revela que quem defendia a intervenção multilateral para fazer as inspeções tinha razão.

O premier português acrescentou que “neste momento, está nas mãos do Iraque evitar uma guerra que ninguém quer”.

Protecionismo
Fernando Henrique aproveitou seu pronunciamento para reiterar a posição do Brasil de luta contra o protecionismo agrícola internacional, para aumentar as exportações.

A avaliação do presidente foi feita após a afirmação do primeiro-ministro português de que, a curto prazo, não há chances de ser modificada a política agrícola comum adotada pelos países da União Européia.

“Essa política é prejudicial ao Brasil, pois delimita os avanços do País até 2006”, afirmou Fernando Henrique. “O Brasil vai manter a luta contra o protecionismo e saberemos, a despeito de tudo, aumentar nossas exportações”.

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, e como a pedra não é tão dura assim, estamos avançando”, completou.