FHC: “Alca vai depender de abertura de mercados e fim do protecionismo”

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Publicado sexta-feira, 14 de dezembro de 2001 as 18:13, por: cdb

O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, durante discurso de inauguração da nova área de aciaria da Cosipa, em Cubatão, que as futuras negociações sobre a implementação da Alca dependerão da abertura de todos os mercados e do fim do protecionismo. “Temos confiança em nós mesmos e só negociaremos o que nos interessar. Negociações comerciais não podem ser confundidas com negociações de soberania. Soberania não se negocia, se exerce”, afirmou, sendo interrompido por aplausos da platéia.

FHC afirmou, durante o mesmo discurso, que a “transformação industrial da última década é gritante”. “Quem diria, há dez anos, que exportaríamos aviões?”, questionou. Para ele, a produção industrial brasileira mudou de patamar, e uma comprovação desse fato é que 52% dos produtos exportados pelo País são manufaturados. “Tem gente que fala por aí e escreve artigos na imprensa que nossa indústria está sucateada. Como uma indústria sucateada exportaria esse volume de produtos manufaturados em um mercado global tão exigente?”, perguntou.

O presidente reconheceu que a economia brasileira ainda é muito fechada, com apenas 10% de seu PIB sendo exportado. “Nossa característica de mercado é igual à da China, Índia e dos Estados Unidos e, assim, continuará sendo. Nossas indústrias ou importam ou exportam, mas sempre estão preocupadas em atender ao nosso mercado interno”, sustentou.

Fernando Henrique Cardoso destacou a necessidade de o setor siderúrgico brasileiro aprofundar sua escala empresarial, com o fortalecimento das empresas, além da necessidade de o País passar pelo aprimoramento de suas “condições sistêmicas”, com o equacionamento de custos tributários, financiamento e modernização do Estado. “Temos um grande desafio a enfrentar no setor siderúrgico brasileiro, para ingressarmos nos mercados globais. A concentração lá fora é muito forte. Algumas empresas sozinhas produzem mais do que o conjunto de todas as nossas. Necessitamos de passos mais audaciosos”, disse.

Na sua opinião, a capacidade de expansão do setor no País depende principalmente da capacidade de investimento das empresas, apontando a necessidade de formação de conglomerados maiores no Brasil. “Temos que buscar uma presença ativa de empresas baseadas no Brasil em outros mercados. Se não tiverem força política para brigar, essas empresas enfrentarão dificuldades maiores por conta das barreiras comerciais”, afirmou citando o texto do fast track em tramitação no Congresso norte-americano.

“São lutas árduas, como vemos o texto do fast track que saiu da Câmara de Representantes e que restringe a ação do presidente dos Estados Unidos”, complementou. FHC disse que a capacidade brasileira de expandir-se no setor de siderurgia é enorme, principalmente no Maranhão.

Além de Fernando Henrique Cardoso, participaram do evento o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), os ministros de Minas e Energia, José Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, e das Comunicações, Pimenta da Veiga, prefeitos da Baixada Santista, senador Romeu Tuma e diretores da Cosipa e de sua controladora, Usiminas.