Festas juninas estão ameaçadas pela violência

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Publicado quarta-feira, 25 de junho de 2003 as 01:03, por: cdb

As tradicionais festas juninas de rua estão sendo ameaçadas pela violência e se recolhendo a ambientes mais fechados. Assaltos, arrombamentos de carros e até invasões de traficantes, que aproveitam a aglomeração para vender mais drogas, estão cada vez mais freqüentes nos locais.

Preocupados com isso os organizadores dos eventos, que vão se estender ao longo do mês que vem resolveram tomar providências para reduzir o perigo.

A Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, chegou a pagar R$ 15 mil para oferecer mais segurança aos freqüentadores do arraial.

Para preservar a tradição, os moradores do bairro aceitaram até aumentar suas contribuições para dar mais segurança às crianças e à família. Com a ajuda dos fiéis, a paróquia contratou uma empresa de segurança particular para a festa, realizada há 10 dias.

– Aqui fica cheio de pivetes atacando as pessoas idosas. Eles sabem que são senhoras de classe média alta e, normalmente, indefesas. Agora, mesmo quando não há comemoração, a segurança fica até de madrugada – revela um diretor da associação comercial do bairro.

Na Piedade, a tradicional festa que há 24 anos era realizada na Rua Ferreira Sampaio passou para o interior do River Futebol Clube. “Contratamos 50 seguranças para que as famílias possam se divertir sem problemas. Todos que entram aqui são revistados e, se tiverem armas, elas são acauteladas”, afirma Luiz Alberto Croka, 35 anos, que organiza a festa para 6 mil pessoas.

Croka também é ex-campeão de jiu-jítsu, e chefia as equipes que dão proteção às quadrilhas juninas.

Em Del Castilho, nas proximidades das favelas do Guarda, Bandeira 2 e Jacarezinho, o arraial da Praça Manet, realizado há 29 anos, ficou menor, porém, mais seguro.

– Começamos a fazer um controle de entrada das pessoas. Dos 15 mil freqüentadores, reduzimos para 4 mil. A falta de espaço facilita as brigas e confusões. Agora, a gente identifica facilmente qualquer tumulto – diz o presidente da associação de moradores, José Augusto Fonseca, o Biliu, que reduziu também o número de barracas.