Festa de Salvador termina após 6 dias de folia e muita chuva

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005 as 14:18, por: cdb

O Carnaval de Salvador comemorou os 20 anos da axé music sem grandes inovações, poucas celebridades e com uma chuva torrencial que quase acabou com a festa mais cedo, na noite de segunda-feira. No dia seguinte, o aguaceiro deu um tempo, deixou em paz os foliões, mas voltou no amanhecer da quarta-feira.

Os encontros dos trios elétricos, tanto na praça Castro Alves, como no Farol da Barra, fecham a festa no início da tarde desta quarta-feira. Gilberto Gil, Ivete Sangalo e o grupo Timbalada são alguns dos que estavam escalados para o encerramento.

“Nunca tinha visto uma quantidade de gente assim (no Carnaval de Salvador)”, disse o ministro Gilberto Gil à Reuters, do camarote Expresso 2222. Segundo dados divulgados pela prefeitura na terça-feira, a cidade recebeu 10 por cento a mais de turistas — foram 1,1 milhão de visitantes, sendo 600 mil de fora da Bahia e do Brasil.

“Teve a parte boa, mas também a parte ruim, o que faz com que a cidade procure um redirecionamento natural para melhorar sua vocação de cidade que tem o maior Carnaval de rua do mundo”, continuou Gil, citando como problemas o tráfego ruim, o policiamento, os negócios informais e os sanitários.

Se a grande novidade foi o ressurgimento do cantor Luiz Caldas, considerado o pai do axé por ter levado aos trios elétricos em 1985 o estilo chamado fricote, a festa baiana não teve grandes presenças dos anos anteriores, como a cantora islandesa Bjork (em 2004) e Gisele Bundchen (2003).

A celebridade que mais chamou atenção dos fotógrafos foi a atriz Deborah Secco, que acompanhou o namorado Falcão, vocalista do Rappa, na passagem de seu grupo de convidados pelo circuito Barra-Ondina.

Os camarotes e avenidas de Salvador também tiveram a presença do ator Thiago Lacerda, o cantor Júnior Lima, irmão de Sandy, e da atriz Danielle Winits, além do ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), que compareceu à festa pelo segundo ano consecutivo a convite de seu colega de governo Gilberto Gil.

As inovações ficaram por conta de Daniela Mercury, que comemorou dez anos de seu camarote na avenida Oceânica. Em uma das noites, a cantora levou um piano de cauda ao seu trio elétrico e misturou o axé com a música clássica.

Na segunda-feira, no trio dedicado à música eletrônica, a cantora baiana trouxe o saxofone e a voz de Fernanda Porto, que cantou “Só tinha de ser com você”, de Tom Jobim, e “Roda Viva”, de Chico Buarque.

Aliás, é de Daniela uma das músicas mais tocadas do Carnaval, “Olha o Gandhy Aí”, uma homenagem ao bloco de afoxé Filhos de Gandhy. Carlinhos Brown fez sucesso com o axé eletrônico “Maria Caipirinha”, o Chiclete com Banana lançou “100 Por Cento Você”, e Ivete Sangalo apareceu na boca do povo com “Céu da Boca — Chupa Toda”.

Mas se coube a Daniela inovar, foi dela o maior revés da festa. A chuva torrencial e o vendaval da noite de segunda-feira, que causaram um pequeno apagão no circuito Barra-Ondina, destruíram quase toda a estrutura de seu camarote.

Os estragos fizeram com que a equipe de Daniela fechasse o camarote e o transferisse de maneira improvisada para a Associação Atlética Baiana, dentro de um ginásio.

Numa festa em que o axé era a principal estrela, outros estilos musicais também tiveram bastante destaque.

O grupo liderado por Falcão, que contou com a presença do rapper BNegão, do Planet Hemp, levou rock, rap e o reagge para os foliões em Salvador.

O DJ Marky também empolgou fãs que não estavam tão atentos ao axé music.

Do camarote Expresso 2222, de Gilberto Gil, o músico tocou na madrugada de terça-feira até ser interrompido pela queda da luz provocada pela chuva.