Férias forçadas para 30 mil alunos da rede estadual

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Publicado quinta-feira, 8 de março de 2007 as 12:50, por: cdb

O ano letivo ainda não começou para mais de 30 mil alunos da rede estadual, segundo levantamento do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe). Após quase um mês de início oficial das aulas, ainda faltam professores de todas as disciplinas em escolas de São Gonçalo, Niterói e na Baixada Fluminense. A situação é pior no Ensino Básico, mas a carência de docentes atinge todos os níveis do sistema educacional.

Pais, alunos e professores estão preocupados com a falta de perspectiva de melhoras. Nem os 2 mil professores convocados dia 26, aprovados no concurso de 2004, resolveram o problema. De acordo com o Sepe, só para suprir a demanda da Região Metropolitana 1, que reúne Queimados, Nova Iguaçu, Nilópolis, Japeri e Mesquita, seria necessário chamar 4 mil docentes.

Preocupação

Quem foi nesta quarta-feira à Escola Estadual Máximo Gorki, em Nova Iguaçu, encontrou cenário que lembrava a época de férias. Na escola vazia, cartazes avisavam aos alunos da Classe de Alfabetização à 4ª série para voltar para casa e lá ficar até segunda ordem. Motivo: ausência de professores.

– O ano letivo não começou para essas crianças. Da 5ª à 8ª séries, as aulas também estão deficitárias. E não há previsão de mudança – informou a coordenadora do Sepe de Nova Iguaçu, Leila da Silva Xavier. Ela visitou outras 20 escolas do município e em todas encontrou escassez de professores.

Em São Gonçalo, 60% das 104 escolas de rede trabalham com número reduzido de docentes. No Ciep Professor Alaíde de Figueiredo Santos, em Coelho, alunos do 2º ano do Ensino Médio só têm aulas 3 dias da semana. – É horrível. Quero ser oficial do Corpo de Bombeiros, mas se não tiver boa base nunca vou passar nas provas. Quem acaba sofrendo é o aluno. Se até o fim do mês a situação não mudar, será difícil nos recuperarmos – lamenta Dherena de Oliveira, 16 anos. Nessa unidade, o déficit é de 21 mestres.

Para os estudantes da 6ª série do Ensino Fundamental, a situação não é mais animadora. Os alunos têm sido liberados antes das 10h. – Fico chateado por não ter aula, prefiro ficar na escola. Chego em casa e não tenho nada pra fazer, fico à toa. Para não voltar pra casa cedo, fico no pátio esperando pelos meus colegas – conta Michel Amaral, 12.

Secretário quer solução até o dia 20

Em Niterói, 35 das 61 escolas estaduais têm buracos no quadro de professores. Lá, a dificuldade está na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. A carência, segundo o Sepe, é de 400 profissionais. Sem professores, muitos colégios mantiveram turmas inteiras em casa. São 12 mil alunos. – Todo início de ano é a mesma coisa. Fazem remendos, mas não resolvem – salientou Maria José Ferreira, coordenadora do Sepe.