Felipão já pensa em aposentadoria

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 6 de novembro de 2002 as 16:26, por: cdb

Avesso ao trabalho da imprensa, o técnico Luiz Felipe Scolari, pentacampeão mundial no comando da Seleção Brasileira, ainda não concedeu nenhuma grande entrevista após o triunfo. Segundo ele, por desejo próprio.

Nesta terça-feira, Felipão esteve no auditório do Cietep, em Curitiba, para uma palestra que reuniu cerca de 400 empresários do setor moveleiro de todo o país. Seu tema: “O sucesso frente às adversidades: analogias entre estratégias competitivas e gestão empresarial”. Porém, a palestra que deveria dar pitadas de confiança e de como agregar os funcionários acabou se tornando uma conversa franca sobre futebol.

Durante o encontro, o treinador deixou bem claro que comandar um clube ou uma seleção da Europa é sua atual obsessão. Cinco anos na Europa é o tempo que ele julga necessário para garantir sua aposentadoria e deixar os campos de futebol. “Possivelmente vai ser uma das últimas coisas que eu vou fazer como treinador. Vocês não vão me ver treinando time com 70 anos”, garantiu.

No entanto, Felipão adverte: “Trabalho em equipe”. A declaração é uma clara alusão ao trabalho de seus auxiliares, o auxiliar técnico Flávio Murtosa e o preparador físico Paulo Paixão. Segundo o gaúcho, esse foi o motivo pelo qual não aceitou o convite da federação mexicana. “Os cartolas de lá não entenderam isso e não queriam pagar o valor que eu considerava justo para meus colegas de profissão”, disse.

O treinador também relembrou alguns ocorridos da carreira, que segundo ele foi toda dividida entre os treinamentos como jogador, o trabalho como professor e técnico, além dos estudos em Porto Alegre. Veja abaixo, outras considerações de Scolari.

Carreira: Durante a conversa, Scolari ressaltou que além de preparo, a vida é feita de oportunidades. “Tive a chance de assumir a carreira de treinador muito cedo e por onde passei, fui campeão. No Brasil, na Arábia Saudita e até no Kuwait”, disse o ex-zagueiro e treinador de estilo disciplinador.

Exterior: “Minha preparação ao longo da vida, foi intensificada após a conquista do penta”. Esse é o principal argumento de Felipão para entrar no mercado europeu. Segundo o treinador, os brasileiros são preteridos no Velho Mundo por falta de preparo. “Por que será que argentinos e treinadores de outros países têm mais chance na Europa?”, ressaltou.

Tratamento: Para Felipão, outro ponto que deve contar a seu favor será a maneira como costuma tratar a sua equipe de trabalho e comandados. “Tem que por coração. O europeu é muito metódico”, disse, se referindo ao fato que muitos jogadores chegaram à seleção desacreditados e evoluíram com o convívio familiar que tomou conta da concentração. Scolari também ressalta, que esse comportamento “paternalista” o transformou num homem de sucesso.

Organização: Ao contrário do que muitos pensaram, a seleção brasileira teve um planejamento detalhado e minucioso. Durante sua palestra, o treinador exibiu exemplos de relatórios dos treinamentos, planilhas do esquema tático da equipe e orientações para o posicionamento dos jogadores. “Todo o trabalho anterior e durante a disputa da Copa do Mundo foi detalhado e esmiuçado para a CBF e os jogadores”, revelou.

Revelação: Scolari revelou ainda, que pagou do próprio bolso US$ 10 mil a um espanhol (estatístico), para ter acesso a vídeos dos adversários da seleção no mundial, já que não havia herdado este tipo de material do seu antecessor. “Se eu tivesse um relatório dos treinamentos da seleção e fitas das partidas anteriores na mão, teria jogado pelo empate com o Uruguai (pelas Eliminatórias, na sua estréia na seleção)”, afirmou.

Copa do Mundo: Segundo o treinador, a sua parte do trabalho foi realizada no momento em que o Brasil se classificou entre os quatros finalistas do mundial. “Minha promessa para o povo brasileiro era levar o Brasil entre os quatros finalistas. O título foi conseqüência do trabalho e da confiança do grupo durante a Copa”, disse.

Motivação: “Eu sou uma pessoa muito emotiva e